segunda-feira, 16 de maio de 2011

Audax 300 km - 14 e15 Maio de 2011

Antes da largada

Grupos pedalando no escuro...

No pedágio da concepa...

Quando parou de chover... apareceu a lua!

Na estrada... agora faltavam apenas 90km!

Curtindo a estrada...
Final de semana agitado... receio do tempo ruim, trânsito nervoso devido a jogo de futebol e outros fatores. Achei estranho o últimos dias de trânsito. Motoristas bem nervosos, talvez com pressão referente a diversas causas, resultando em "energias" negativas e mal resolvidas no sistema onde todos somos dependentes de alguma forma. O trânsito responde e recebe por isto... mas não quero enfatizar os problemas do trânsito, pois ele esta doente, não parece que existam preocupados com isto, exceto nós, ciclistas. No sábado a noite, cheguei queimado no largada, fiz alguma foto da largada, e escoltei os ciclistas até a ponte do Guaíba. Chegando lá, completando a tarefa atibuida, liberei os mesmos. Os amigos ciclistas largaram bem... percebia-se experiência entre muitos, ritmo leve, continuo e progressivo. Bem entrosados com a velha magrela. Ocorreram algumas situações com pneus furados a noite, mas todos tiraram de letra a situação. A prova foi tranquila, pareciam ciclistas iluminados por sorte, apesar da chuva e do frio. Eu diria que esta prova foi  uma das provas mais difíceis que presenciei. Teve chuva com frio, teve lomba, aí parou de chover, voltou a chover em alguns pontos da estrada, e depois veio o vento. No vento, percebi através de uma bandeira, que ele chegara a mais de 30 km por hora em alguns momentos e locais. Fortes rajadas surgiam nestes pontos. E foi nestes trechos soube que até mesmo os mais experientes e rápidos, passavam por dificuldades em manter qualquer ritmo. Foi uma prova emocionante, lamentei pelas desistências. Lamentei por aqueles que não compareceram também, pois muitos destes eram não somente experientes como fortes, e possivelmente motivo para a confirmação de inscrição de ciclistas novatos. Mesmo assim, a prova contou com participantes de locais diversos, de outros estados como SP e RJ, se me lembro bem, como também de outras regiões do estado, incluindo a turma brincalhona de Bagé.
Fico neste post deixando meus agradecimentos aos participantes, a organização pela oportunidade de estar presente fotografando e "respirando bicicleta", e por alimentar a esperança de no futuro próximo pedalar entre estes guerreiros. Ali, novamente, um dia estarei... sem lágrimas, mas com suor e alegria. Parabéns a todos, e roda pra frente, pq logo ali vem mais uma prova.

Roberto Furtado

sábado, 14 de maio de 2011

Do Jardim ao Poder de José Lutzenberger


Já não é necessário ser naturalista para ver que nossas cidades são monstruosas. Todos começamos a sentir que o que chamamos "progresso" é, na verdade, uma corrida grotesca que nos torna cada dia mais neuróticos e desequilibrados.
Necessitamos de compensações. O jardim pode ser uma destas compensações. Além de contribuir substancialmente para a saúde do corpo e da alma, a jardinagem poderá constituir ocupação de grande valor educativo, pois nos fará sentir a Natureza, da qual estamos tão alienados. Mesmo quando praticada em escala mínima, a jardinagem restabelece um certo elo entre o homem e a Natureza, abrindo-nos os olhos para seus mistérios. Tivéssemos mais jardins, públicos e privados, seria mais amena e menos embrutecedora a vida nas cidades.
Fazer ou não um jardim que cumpra tão importantes funções depende menos dos meios de que se dispõe do que da própria inclinação e disposição diante da tarefa. Quem é muito rico e dispõe de muita terra é claro que poderá, se quiser, fazer um imenso parque, com paisagismo esmerado. Mas com meios muito modestos também se pode fazer muita coisa, não menos interessante. Grande contentamento e paz de espírito pode-se obter com meios irrisórios. Há os que sabem fazer jardins fascinantes em poucos metros quadrados e que obtêm imensa satisfação no cuidado que lhes dispensam. Até no balcão de uma janela pode-se cultivar um pedaço de natureza, e mesmo num pequeno aquário pode surgir um jardim submerso encantador. A Natureza oferece um sem número de possibilidades. Quem sabe observá-la e tem imaginação nunca cansará de maravilhar-se diante dela. Sempre descobrirá coisas novas e surpreendentes. Aprenderá a deleitar-se com ela.
Assim como eu posso gostar de jardins grandes e variados ou de árvores centenárias com seu vestido de epífitas, posso também deleitar-me com a arte do bonsai, que consiste em cultivar miniaturas de árvores. Em São Paulo, temos um grupo de japoneses que trouxe de seu país esta tradição. São grandes artistas. Alguns possuem exemplares de indescritível beleza. Estas miniaturas passam de pai a filho. Há os que possuem bonsais de 300 ou 400 anos. Dedicam muito tempo, paciência, amor e carinho a suas plantas. Devem obter tremenda satisfação e paz de espírito nesta arte.
Em nosso País, temos um flora exuberante - ainda exuberante, porque, da maneira como hoje a combatemos, em poucos anos já não sobrará muita coisa. Nossa flora é uma das mais ricas do mundo. Temos uma infinidade de plantas e comunidades florísticas preciosas que poderiam ser protegidas ou cultivadas. Há campo para especialistas e para generalistas, para os que gostam de dedicar-se a um só grupo de plantas como para os que preferem ambientes complexos. Para os primeiros oferecem-se as orquídeas, cactáceas, bromeliáceas, suculentas ou samambaias, musgos, aráceas, plantas aquáticas ou carnívoras e muitas, muitas outras. Para quem gosta de ambientes harmônicos, os nossos ecossistemas naturais oferecem exemplos de formas e combinações as mais diversas.
O que nos falta é a mentalidade para ver a beleza do nosso mundo. Somos cegos diante da Natureza. Se o homem industrial moderno está, em geral, alienado da Natureza, entre nós esta alienação atinge seu clímax. Predomina entre nós o esquema mental do caboclo que, quando lhe perguntei pelo nome popular de uma determinada planta silvestre, me olhou muito surpreso e respondeu: "Mas isto não é planta. Isto é mato!". Usava a palavra "mato" com entonação profundamente depreciativa. Eu quis saber então sua definição de "planta" e de "mato". Deu-me um olhar ainda mais incrédulo e condescendente e explicou que "mato" era tudo aquilo que vingava sozinho, que não prestava, que devia ser exterminado, e que "planta" era o que se cultivava, o que tinha valor, que dava dinheiro. Quando me afastei, tive a impressão de que ele me considerava um pobre louco, por não saber fazer distinções tão evidentes.
Quem tem este esquema mental nunca saberá, é claro, fazer um jardim realmente interessante, nem terá vontade para tanto. Fará, quando muito, um jardim convencional, do tipo que predomina entre nós, com canteiros geométricos, de preferência rodeados de concreto e com plantas desfiguradas pela tosa ou poda mutiladora. Quando enxergar uma árvore velha coberta de belíssimas epífitas, só pensará em como limpá-la de suas "parasitas". Nos loteamentos, preparará o terreno pela terraplanagem violenta, arrasando tudo o que é natural, para então construir as casas em uma paisagem lunar onde, para fazer um jardim todo artificial, terá que trazer terra vegetal de outro lugar, causando assim mais uma depredação no mato natural em que obtém esta terra.
Só saberá fazer um jardim que lhe proporcione realmente satisfação e serenidade aquele que aprende a amar de fato a Natureza, porque este se dedica pessoalmente às suas plantas. Nunca entregará seu jardim aos que vêm armados com serrote e tesoura de podar e que se dizem jardineiros, mas que são apenas massacradores de plantas. Só quem faz de seu jardim um hobby poderá dele tirar prazer compensador.
Não temos demonstrado a mínima sensibilidade nem reverência pelas coisas da Natureza. Já houve entre nós os que ofereciam "concreto verde" para aqueles que reclamavam mais verde. Nossas árvores urbanas estão todas em estado deplorável, por causa da absurda moda das mutilações periódicas, geralmente praticadas pela própria administração pública. Em ambientes como este, é difícil que floresça uma cultura jardinística como a que podemos observar em alguns países europeus.
Mas nunca é tarde para começar.


Fonte: Ecologia - Do Jardim ao Poder de José Lutzenberger (Porto Alegre 1985)


Acho importante que palavras deste ambientalista não se percam no tempo, pois ele "é" e será sempre o primeiro. O primeiro que teve coragem, acreditou e percebeu coisas tão importantes sobre nossa existência física neste planeta. Temos nossa importância no meio, mas fazemos tudo da pior maneira, de forma errada e confortável. Pensemos... Recomendo a quem puder, que saida mais sobre José Lutzenberger. Esta postagem coincide com a data de falecimento deste brilhante ambientalista.

Roberto Furtado

STI old School fruto de garimpo... Ergopower Campagnolo Mirage 16V



Depois de alguns dias aguardando ansiosamente a chegada dos trocadores de cambio/maçanetas de freio da campagnolo, modelo Mirage 16 velocidades, recebi o aviso dos correios e fui retirar. O material idêntico aos que tive na década de 90, em minha TREK 2000, estavam exatamente conforme a descrição do vendedor. Ele disse que a irmã dele havia usado por cerca de 50 km, e náo teria se adaptado. Chegando o pacote, abri e dei de cara com peças muito novas, bem como eu queria. Tenho sonho de montar uma road 100% italiana, como aquelas que eu via nas ruas de Porto Alegre, eventualmente, voando sobre o asfalto. Nos meus devaneios, sonhos acordado, pensava e repensava nas voadoras do asfalto, e no sentimento que elas tinham... sim, mais uma vez cito que bike tem sentimento, espírito, e desejo de velocidade. As road bikes voavam, induziam seus ciclistas a soltar os freios no topo das lombas, e aceleravam com o coração. Talvez fosse EPC, energia potencial cinética, se me lembro bem das aulas de física, onde um objeto no topo de uma lomba teria "direito" a energia quando beirava o peral da ladeira. A sensação, crença, conhecimento sobre a física, se misturam e lá se vão ciclista e nave sustentada por raios finos e fortes, a magrela se larga e leva o viajante ao delírio... até que lágrimas surjam nos olhos do "piloto", devido ao vento que bate nos com força. É neste espírito que descrevo, que realço a diferença de uma road bike... uma bela dona italiana, cujo os meninos da década de 90, viram pela televisão, ou aos domingos em estradas ou provas de ciclismo. Será que hoje ainda existe isto? Será mesmo que as bikes de "aluminum" conseguem portar espírito? Esta resposta deixo para cada um responder, mas no meu coração, a única resposta surge como um eco não me deixa esquecer: "Cr-Mo!" 
E nestes devaneios entre bicicletas com sentimento, se são italianas, americanas, ou qualquer outra devoradora de quilômetros, estão trocadores que combinam com os sentimentos, dizeres e o tal eco. E pq não sonhar, já que por hora preciso ficar aqui sentado, agradecendo por estar pelo menos digitando com o braço direito... ser grato, ser humilde, ser sonhador, com toda certeza nos faz pessoas melhores. Praticar é preciso!
Mais uma peça na caixinha, menos um grão faltante para uma futura restauração. E devagar vamos nós... eu e minhas bikes.

Roberto Furtado

terça-feira, 10 de maio de 2011

Wooden bicycle

Endless-sphere.com

No endless-sphere.com achei um tópico interessante sobre bikes fabricadas utilizando madeira. Nos comentários, são presentes, afirmações sobre o conforto, beleza, e simplicidade. A bike que me chamou mais atenção é ao meu ver a mais simples em estrutura, porém complexa e duvidosa transmissão de marchas. Receio que o guidão possua algum limite para movimentação, exceto se esta movimentação transmitida for mínima na mvimentação lateral da corrente. Vejam só... uma reclinada, de madeira, com tração dianteira... isto é no mínimo diferente do que estamos acostumados a ver. Aqui no Brasil quando aparece algo assim é quase certeza de que não funciona. Agora, pq? Esta resposta ficará em branco, para quem sabe um dia eu ser calado por algo realmente inovador com grande funcionalidade. Em geral, projetos como estes nunca saem do papel... quando viram protótipo, acabam esquecidos em uma garagem. Tenho uma tendência a realizar estes feitos... agora se isto acaba bem, bom, isto é outra questão. Contudo, todo experimento se transforma em experiência, e muitos dos consertos em bikes tradicionais acabam sendo viabilizados somente se tem esta experiência. Em casa, sem pedalar, me ocorrem um porção de pensamentos, a maioria delas envolvendo coisas que não posso iniciar agora. Sobretudo, o projeto longtail, que adormece, mas não se termina, não evolui. Há de ocorrer este momento...

Roberto Furtado

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Contagem regressiva para o Audax 300 km

Com a proximidade do Audax 300 km, imagino que os ânimos e espectativas para a prova esteja quase sufocando os ciclistas em alegria. Saber que a prova mais organizada do Audax no Brasil esta prestes a ser realizada por ciclistas experientes, faz com que os sonhadores fiquem também agitados. Estarei lá no Domingo pela manhã, e logicamente farei fotos... e a julgar pela melhoria que apresento, farei muitas boas fotos. Gostaria de lembrar as menos experientes, que esta é uma prova mental... mentalize o sucesso, otimize sua energia, acredite na conclusão, e coloque metas de tanto em tanto. Por exemplo, utilize alguma forma matemática para dividir o tempo de prova pela quilometragem de pontos estratégicos. Coloque meta de tempo, e use o corpo adequadamente. Se você chegar antes em um dos pontos, melhor... é tempo ganho para a meta seguinte. Preste atenção nos carros, nos colegas e no pavimento. Cuide da respiração! Beba água, mantenha o corpo aquecido na medida certa durante a noite, e durante o dia use protetor solar. Não coma alimentos fortes ou pesados, lembra-te que qualquer mal estar desencadeia processo desestimulante. Acredita, acredita, acredita... tu vai conseguir! Que a força esteja com você!

Roberto Furtado

sexta-feira, 6 de maio de 2011

GT Tequesta STX - reconstrução realizada por Ricardo Fabricio










Um amigo restaurou esta GT Tequesta e me pediu para postar aqui no blog. A old school é uma velha guerreira de Cr-Mo, já possuidora de caixa de direção oversize. Possui a maior parte das peças shimano STX, bem ao estilo da época. Achei bem interessante que a bike ainda possuia este guidão com bar ends integrados, ainda em acabamento niquelado, como algumas se apresentavam na época. Naquele tempo, estes pequenos detalhes, incluindo o lindo acabamento das peças STX, faziam a diferença e enchiam os olhos da gente. Lembro bem como eram "salgadas" as bikes da GT com tal configuração de montagem.  Hoje, algumas raras peças ainda circulam em bikes que são sobreviventes da febre da geração seguinte. Onde tudo que se queria era uma bike de aluminio, e as rejeitadas bikes de Cr-Mo, quando com algum problema, mesmo que mínimo, acabavam em lixões ou nas mãos de pessoas bem simples que não tinham o menor entendimento de cuidado e qualidade do produto. Fico triste quando vejo uma bike ao fim da vida, e fico feliz quando recebo notícias de bikes da resistência. Bikes de Cr-Mo são ecológicas, confortáveis, bonitas, merecedoras de atenção, como outra bike de material diferente jamais vai ser. Diga o que quiser, tecnologia, desempenho, mas jamais poderá convencer a mim, ou a outro "velho" vivente da década de 90 que bikes de Cr-Mo são inferiores as atuais modernidades. Sem diminuir o material atual, tecnológico, necessidade do momento, configuração atual, mas as velhas... as old school, sobreviveram para ficar. E é bem possível Estas "velharias" sejam encontradas entre os próximos garotos daqui a uns 70 anos, e um deles diga: "Esta bike foi do meu bisavô!" Quem sabe?!!?! 

Roberto Furtado