quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Bike Expo 2012... Bicicletas Antigas?




Seria estranho observar um stand com bicicletas antigas em um salão da bicicleta moderna e com intenções comerciais? Sim, é possível que muitos tenham pensado desta forma. Contudo, tal iniciativa de um expositor demonstrar produtos antigos, restaurados, e raros, permite que façamos uma linha do tempo entre o passado e o presente. E desta forma é possível refletir sobre o futuro. Bicicletas antigas como uma centenária fabricada em madeira (inteiramente), ou uma já nem tão antiga onde a mistura de aço e madeira traduz algo de refino e evolução para um período muito distante. Acessórios que pertenciam as bicicletas, como buzinas estilizadas que só se via no passado, ou faróis a querosene (ou outro combustível da época), dentre outros caprichos tão afastados do agora. A antiguidade permite a reflexão... as vezes, algo não deu certo! Talvez a tecnologia ainda fosse tão arcaica, por outro lado a intenção era muito melhor. Fazer algo para durar... será? Para durar sem que houvesse uma tecnologia mínima, geraria uma necessidade de evolução e abandono deste projeto antigo. Agora sim deveríamos ter tal preocupação! Temos tecnologia, entendimento, e motivos de sobra para produzir algo durável. Se não for por uma economia global, que seja por sustentabilidade. Pode ser? Então pq ainda ficamos tão focados em descartáveis, plásticos, baixa resistência, etc Em nível competitivo do esporte, durabilidade vai contra o peso dos componentes. Afinal, que confusão... mercados tão distintos. Nas pistas uma tendência, nas ruas outra... tecnologias que se alimentam, trocam informação! Funciona, não funciona... conceito antigo, novo, pensa tudo novamente para chegar em algo produtivo! E o preço? Ficou caro... é tão difícil entender o mercado! De qualquer forma, foi ótima a participação de olds na feira. Elas nos fazem refletir... e cá estamos!

Roberto Furtado

Bike Expo... tendências de mercado!


Falar sobre as tendências do mercado e não abordar a presença de bicicletas munidas de motor elétrico é um equívoco. As bicicletas elétricas estão realmente invadindo o mercado, vistas como opção de mobilidade urbana ou lazer, com esta variante do auxílio que o motor pode oferecer. A grande questão é que já no ano passado elas estavam em peso na feira, e este ano surpreende a quantidade de acessórios, opções e conceitos. Acima, na fotografia, nota-se um modelo que além de ser assistido por um motor elétrico, ainda possui um atributo de praticidade que as dobráveis "reinam". A pergunta que ocorre é se esta tem peso baixo suficiente para ser carregada com uma tal dobrável, mas obviamente isto é tão pessoal quanto pode ser a escolha de como trabalhar e residir. Em cada caso teremos uma condição diferente... a exemplo, mora e trabalha em locais térreos, sem escadarias para vencer. Relevante é o fato de que a bicicleta deve ser desmontada somente quando chega ao seu destino, ou quando criará um volume que pode incomodar. Obviamente, toda bicicleta dobrável torna-se mais complicada de "carregar" quando esta dobrada, pois quando montada empurrar a mesma é tarefa muito mais simples. É preciso entender quando uma bicicleta dobrável deve ser desmontada, pois caso contrário ela será um transtorno para seu proprietário. 
Combinar uma opção de veículo a pedais com motor elétrico pode ser a solução de mobilidade urbana para muitas pessoas. Veículo muito mais barato que uma motocicleta, dispensa necessidade de uma garagem ou busca por vagas de estacionamento, e ainda possibilita o uso apenas como bicicleta. Não esqueçamos que o ciclista estando desmontado da bicicleta, mesmo que a bicicleta seja também elétrica, transforma-se em um pedestre. Pode este ciclista trafegar pelo passeio calçada com direitos e deveres iguais de um pedestre. A grande questão que ronda neste assunto é quanto a legislação, ainda completamente imatura sobre estes veículos. Aborda-se ainda como uma segunda questão e não menos importante o fato de veículos sem pedais pertencerem a outra categoria. Veículos sem pedais não são bicicletas! Válido para patinetes, lambretas, motonetas de motor elétrico! A bicicleta encontra-se num espaço de direitos e conceitos distante de outros veículos. Não que estes outros não tenham sua importância e espaço, mas não são vistos como bicicleta. Tendências de mercado, a bicicleta elétrica estava em peso na feira. Não resta dúvida que o sistema oferece de forma ofensiva a inserção deste veículo no mercado. Cabe a nós decidir se esta terá sua aplicação ou necessidade justificada no cotidiano. Pessoalmente, creio que sim... basta que a legislação regule este uso, e torne esta opção uma viável possibilidade justa da mobilidade urbana. 

Roberto Furtado

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Bike Expo 2012... e as primeiras impressões!


Depois de dois dias acompanhando de perto a feira, e sendo esta notavelmente menor que a anterior, foi possível observar algumas mudanças. Sempre passamos por mudanças! O mercado muda, as tendências também, e até mesmo as pessoas alteram sua forma de observar o mundo. A 7ª edição da feira mais popular da bicicleta do Brasil, parece ter perdido a força. Não é preciso dizer que a estratégia de um segundo organizador em produzir um segundo evento em período próximo, acabou gerando a divisão dos públicos. As grandes marcas não estavam lá, exceto para algumas exceções. A feira pareceu muitíssimo mais organizada que no ano anterior, e quem esteve lá percebeu que era fácil recordar onde estava cada comerciante, fabricante ou importador. O público que visitou a feira foi diversificado. Se vendeu muito para comerciantes, e isto se percebeu por estes mesmos. A Penks informou que fechou grandes negócios, inclusive com novos parceiros. A Mormai anunciava um grande crescimento na venda de suas bicicletas. A Bianchi aparecia como destaque e atraia os aficionados pelo capricho. Dezenas de empresas apresentaram diversos modelos de bicicleta elétrica, inclusive um sistema que fica integralmente dentro da roda (bateria, motor, central, tudo, menos o acionador, obviamente), distribuido pela empresa gaúcha BigBike. 
Conforme uma tendência já percebida no ano anterior, as bicicletas de um outro segmento estão estourando e buscando o preenchimento de uma lacuna. Bicicletas de conceito da mobilidade tais como fixas, singles, urbanas, dobráveis, vintage, e de estilo e alto capricho estão invadindo o mercado. Em sua maioria, quando bem caprichadas, modelos fabricados em Cr-Mo, aços nobres, com cordão de solda fino e contínuo, componentes de melhor acabamento e outras tantas vantagens aos olhos do consumidor que delira com o uso da bicicleta nas cidades. Aqui, nos próximos dias faremos uma demonstração do que surge no mercado. Bicicletas com cubos de marchas internas, como os Nexus, de 3 a 8 velocidades, ou ainda com Sturmey Archer, como vi nas Linus. Você não perde por esperar... e já instigando tua curiosidade, em outubro irei a Cycle Fair para trazer mais lançamentos. Aliás, esta era para ser a grande diferença das duas feiras. Uma feira de venda, outra de novidades e lançamentos. Na Bike Expo tínhamos novidades e lançamentos... agora ficamos na expectativa de que a Cycle Fair faça algo mais pela bicicleta. 

Roberto Furtado

sábado, 4 de agosto de 2012

A singularidade de cada um...


Conversando com um colega que estava frustrado, acabei tendo algumas idéias e resolvi escrever a respeito. Queixava-se ele de concorrência de mercado, de um mercado desleal, de pessoas que não atingem suas expectativas. Por muito tempo pensei como ele, e hoje vejo as coisas bem diferentes. As pessoas são todas diferentes, nenhuma escreve, fala ou executada uma tarefa de forma igual a outra. Uns tem um determinado talento para escrever de forma romântica sobre tudo, outras escreverão a realidade sem qualquer emoção, e também haverá quem surpreenderá, ou não escreverá a respeito de nada, nunca! Todo mundo possui uma qualidade, muitas vezes oculta. Talvez, este que nunca escreverá nada interessante, possa ser uma grande personalidade capaz de espalhar uma palavra pelo vento. Isto é um talento! Sempre pensei que seria muito difícil me colocar frente ao mercado para me equiparar com os melhores... mas afinal, melhores em que? Estes melhores possuem qualidades triunfantes em algo, e muitas vezes são péssimos em outro algo. Já conheci grandes fotógrafos que jamais foram capazes de formar laços de amizade ou ter família, ou já vi escritores natos incapazes de atender ao telefone com educação. Como executar uma tarefa ou como tratar com as pessoas é uma habilidade distinta, única! Você pode ser um grande piloto nas pistas, e ser um filho ideal, e pode não ter nenhum talento para ser músico! Você pode ser um grande vendedor, e um péssimo pai... E onde esta o problema disto? Temos que valorizar o que temos e crescer sempre, corrigir os problemas e as dificuldades. Estamos aqui para crescer, para superar! Superar nas estradas, nas ruas, nas pistas, no trabalho e no meio social. Temos todos tanto a superar! A finalidade deste post é fazer você acreditar nas suas habilidades, e compreender suas fraquezas. Passei boa parte da minha vida, destes 36 anos, querendo ser alguém, fazer algo diferente, remando contra a maré. E um dia percebi que minha única obrigação era ser feliz! Descobri por acaso que as pessoas gostavam das minhas palavras, gostavam das minhas abordagens, das minhas imagens. E eu era péssimo com cálculo na engenharia, embora gostasse muito do curso. Sou péssimo como ciclista da longa distância, nunca fiz mais que 300 km em um Audax. Sou péssimo em falar pessoalmente, mas quando realmente quero, escrevo um texto capaz de atingir os objetivos. Você é assim também... eu seu disso! Você esta do outro lado se perguntando sobre o que é bom, e eu digo, talvez você nem tenha descoberto ainda, mas use seus instintos e acredite em você! Você é único, você é insubstituível, você lê, escreve, fala como ninguém, você pedala 1000 km como só você consegue, você desce as pistas como poucos, você tem tantos amigos... você só precisa ser feliz! Pega tua bicicleta, e vai pedalar, pensa a respeito... foca só em você! É o seu momento!

Roberto Furtado

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Bike Expo 2012... indo agora de madrugada!


Bem, então agora é rumo a feira... acordo de madrugada para chegar no Aeroporto. Bem cedo estarei em São Paulo, e espero chegar no local  da feira próximo do horário de abertura (abre ás 10 horas, se não me engano). Espero realmente entrar em sincronia com a mesma. Para isto será preciso que a feira esteja preparada para acolher o público de forma comercial, com aquele espírito do capricho, da novidade. Dos profissionais que estiverem trabalhando lá, espero apenas que estejam acessíveis, forneçam  materiais, criem oportunidades de interagir com o público realizando demonstrações de funcionamento de equipos. Coisas bem banais em feiras, mas que garantem a apreciação e oportunidade de manuseio. Acredito que isto esteja desta forma. O receio é que houve uma grande divisão de interesses. Este ano, pela primeira vez teremos duas feiras, hoje, a Bike Expo e em outubro a Cycle Fair em sua primeira edição. Como é a primeira vez em anos que isto acontece, não dá pra saber o que vai ser... boatos sugerem que a Cycle Fair vai ser mais importante, mas como garantir isto se comparada a Bike Expo que esta em sua 7 ou 8ª edição (me deu um branco agora)! A novidade por minha parte será que farei videos sobre a feira este ano... estou guardando material fílmico para utilizar num futuro breve. Já pensei em fazer algumas pequenas tomadas descritivas para youtube em tempo pequeno após a execução. Também válido para provas! Tem muito trabalho neste caso, tem um custo que preciso conseguir em apoios. Doar meu tempo até é bem viável, mas investir em equipamentos exige retorno. Deixei, como sempre, algum material programado. Então nem pense em esquecer o Bikes do Andarilho durante este período. Garanto um fluxo de assuntos mesmo quando estiver fora do meu QG. Vejo vocês aqui, na segunda feira, talvez Domingo a noite. 
Para quem estiver ligado nas provas da FGC, tem ciclismo em Capão da Canoa. Parece que finalmente vão aplicar chip para a conferência da posição e chegada. Para quem esta ligado em Londres, não assista somente as modalidades da bicicleta. Lembrem-se que tem muito esporte bonito para assistir, e muita cena para prestigiar. Algumas entram para história do esporte... caso de Phelps com sua 20º medalha, conquista a cerca de 1 hora. Nada mal... 
Abraços

Roberto Furtado

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

As lágrimas do esporte

O lendário Markolf 

Com a conclusão do Brasileiro de Downhill 2012, naquela movimentação pós prova, antes da premiação, percebi o valor das lágrimas do esporte. Olhei para um piloto gaúcho que atingira a 4ª colocação, William Bortolozzo, vulgo Gringo, ele estava em prantos. Chorava feito um piá pela realização da colocação. Dava até vontade de chorar junto... me aproximei dele e disse: "Tem que ser muito galo para chorar assim!" Uma tentativa de entender como e o que ele pensava naquele momento.
Minha maior realização foi a há muito tempo, certa vez fui campeão de Judô, ainda quando criança. Naquele tempo não entendia o valor por trás de uma medalha de lata, apenas sabia que tinha vencido 4 oponentes, de forma unânime. Em outra oportunidade quando fazia um Audax 200 km, caí após bater em um sinalizador de estrada. Na queda, fiz luxação tipo três na clavícula. No terror da dor, olhei para o céu e busquei forças para fazer mais 130 km, completando o brevet. Chegando em casa, sentei no box do chuveiro, e chorei feito uma criança por cerca de 5 minutos. A superação faz lágrimas do esporte. Coisas como estas jamais esquecemos, ficam enraizadas, e o passar dos tempos nos diz como fomos felizes. Os dias mais felizes de nossas vidas são realizações dos sonhos, sejam quais forem. Também na prova de Downhill, com a 3ª colocação e não menos importante que o primeiro, estava Markolf Berchtold. Ao subir ao pódio, recebeu o microfone para dizer algumas palavras. Mal começou a agradecer a multidão e a conquista de estar mais uma vez no pódio, tremeu na voz e precisou entregar o microfone. Colocou-se a chorar e mostrar as lágrimas do esporte, da mesma forma que Bortolozzo. Nas Olimpíadas de Londres, Felipe Kitadai, judoca brasileiro, conquista a medalha de bronze... assistido por milhões, chorou como nunca em sua vida. A alegria da conquista é alimentada com a dor do sacrifício, do empenho, na dedicação de tornar a este e qualquer outro apenas alguém com realizações da superação pessoal. Conquista... palavra que alguns entendem, e o choro é emoção que representa esta tal superação. No esporte, as lágrimas tem mais valor do que medalhas... lágrimas se transformam em lembranças, em histórias de alguém, em algum lugar, que de tão feliz, chorou! Lágrimas do esporte!

Roberto Furtado