Neste tópico reside a maior complicação para aqueles que querem se aventurar nos cubos de marchas internas. Algumas pessoas dizem que este conceito de cubo pode ser instalado em qualquer bicicleta, e na verdade pode... assim como é também possível pedalar longas distâncias sobre qualquer tipo de bicicleta. O que não se considera nesta afirmativa é a dificuldade de ajuste, acidentes eventuais do esticador, e pelo mundo afora vamos em busca de ideais. Acabei refletindo e idealizando que o ideal nestes projetos são bicicletas de "gancheira" ou fixadores horizontais. Obviamente, quanto melhor a qualidade dos mesmos, melhor o resultado e diminuída a chance de dores de cabeça. As bicicletas que possuem estas "terminações" de maior espessura e horizontais (ou quase horizontais), sempre tem maior aceitação neste processo de adaptação. A verdade é que praticamente nenhuma bicicleta nasceu para este conceito... e tudo que se fez foi adequar os modelos de cubos para os frames existentes. Vai chegar um dia em que os frames serão projetados para cubos como estes, e acho até que este será o inevitável modelo que será aplicado na grande maioria das bicicletas. As fixas atuais se aproximam muito de um modelo indicado para receber um Shimano Nexus ou um Sturmey Archer (ou outros de qualidade). As road bikes da década de 60, 70, e 80 são grandes candidatas, exceto para aquelas que tem terminação vertical para eixo. O fato é que há muito pano para manga neste assunto... Na Revista Bicicleta, edição de Março de 2014, em uma reconstrução utilizamos o Nexus Inter 3. Agora, como ponto de dedicação do assunto, usaremos também um nexus inter 3 de sistema contrapedal para uma MTB de gancheira horizontal. Nós conseguimos uma MTB dos anos 90 com este perfil. Acabamos de receber o cubo... acompanha esta história, pq a sugestão é que ela fará parte do futuro de grande parte das bicicletas destinadas a mobilidade urbana.
terça-feira, 11 de março de 2014
Cubos de marchas internas e os frames adequados
domingo, 9 de março de 2014
Reconstrução de um old GT Outpost... parte 2!
Muitos olhariam a bicicleta das fotos como um projeto simples e banal... mas na verdade este projeto requer muita dedicação. Obter peças de época, originais, e sobretudo em boas condições não é tarefa fácil. Aros de alumínio fosco da década de 90 podem ser umas das peças mais difíceis de se conseguir. O selim que aparece nas fotos é outra raridade... ainda mais deste modelo, extremamente macio, pois é de gel. Raras bicicletas GT vieram com este selim...
Os pedais também são raridades... estão em ótimo estado. Não podemos esquecer nem mesmo a blocagem de selim escapa. As sapatas dos cantilever são da shimano, bem como os cubos shimano exage... os famosos e eternos exage. Arrumar uma mesa de std para cantilever se encontra... mas não de qualidade na atualidade, tem que ser peça old mesmo!
Os bar ends de época, pedevela com coroas sem desgaste, o mesmo para cassete, isto é um desafio muito maior que qualquer outro projeto. Montar uma bicicleta nova é fácil, mas montar uma bike antiga, ao estilo da época, isto é bastante desafiador. Com esta postagem dou por encerrada mais uma história de sucesso deste bloguito. Espero ter motivado e comprovado que existe viabilidade... desde que estejamos dispostos a trabalhar duro, as vezes por meses, e gastando o que não pode ser evitado. Colocar preço em peça de época não é uma realidade... quem as guardou, muitas vezes esta disposto a cobrar pelo tempo que estocou. Isto é um grande problema para quem procura. Muitas vezes o garimpo mostra um achado, mas pode levar tempo. Eu já tinha muitas peças guardadas adquiridas ao longo do tempo, mas não é realidade de todos. Alguma destas peças estavam a mais de 5 anos comigo. Podemos dizer que um projeto pode levar muito tempo... mas se o autor estiver realmente com disposição e tempo, talvez em 6 meses ele consiga. Isto seria praticamente um tempo recorde. Agradecimentos ao Tchaka pela dedicação na montagem. Que venha o próximo projeto...
sábado, 8 de março de 2014
Andarilhando... sempre que puder!
Hoje, aproveitando que não tinha trabalho neste sábado, resolvi caminhar de Ipanema onde moro até Teresópolis. Não parece muito e acho até que não é mesmo, mas a distância fica "aumentada" pelas oscilações da altimetria. Outra grande questão de peso sobre a distância parecer pior é a péssima qualidade das calçadas de Porto Alegre. Com bueiros afundados ou salientes, diferenças de nível entre os locais. Em alguns se percebe até uma altura de 30 cm, mesmo que o motorista o ciclista não acredite, o pedestre passa por poucas e boas... fora o risco de assaltos. Tem gente que já esta me dizendo exagerado... mas vejo risco de assalto o tempo todo. Piorou muito em Porto Alegre... esta de um jeito que nunca vi. Bem, esta questão da segurança não vale como tempo perdido... vou ao assunto da caminhada. Fiz 8,3 km em 80 minutos, que corresponde a uma velocidade média de 6,2 km/h. Caminhar é tão bom como andar de bicicleta... um pouco monótono para quem esta acostumado com a mudança veloz de paisagem ao andar de bicicleta, mesmo assim é um ótimo exercício e relaxante.
quarta-feira, 5 de março de 2014
Reconstrução de um old GT Outpost... parte 1!
O Bikes do Andarilho foi um pioneiro na estrada da reconstrução de bicicletas da década de 90... não se encontrava quase nada a respeito antes, menos ainda publicado em um espaço específico. Hoje, aparecem alguns blogueiros com mesmo intuito, algo que considero muito bom... é um sinal de que estamos todos acordando para as necessidades de reciclar bicicletas de qualidade. Não é pq são antigas que não são de boa qualidade... neste caso, conceito dos anos 90, dá pra dizer que a qualidade é uma obra de arte que se destaca em relação aos dias de hoje.
Falar de um modelo que foi sucesso é tarefa fácil. Não havia descontentes com este modelo da GT, mesmo que ele fosse praticamente o exemplar de largada da marca americana. O frame em questão tem o triângulo principal confeccionado em Cr-Mo 4130, e os demais em hi tensile. Não apenas pelo nível do aço, mas também pelo acabamento, sobretudo das gancheiras e caprichos como fixadores de bagageiros, se destacava a marca em um período onde todas queriam aparecer. Foi uma grande corrida pela fama na década de 90. Os conceitos da época, em parte, destoam da atualidade, mas existe uma legião de adeptos que dá as costas para os frames de alumínio e principalmente para o carbono. Evidente que este seleto grupo não é competidor, estão mais para cicloturistas, entusiastas do cotidiano e apaixonados por um tempo que se foi. Caixa de direção de rosca, mesa std, estes são conceitos abandonados nesta época, mas poucos percebem que nestas características se foram também o conforto e a simplicidade. Muitas vezes... menos é mais! A estrutura dos frames, que é conceito bastante semelhante em quase todos os fabricantes, aplicada ao tipo de material com características mais "flexíveis", transforma a bicicleta em uma "mola". O aço Cr-Mo 4130 é usado também na fabricação de molas de automóveis, também de outros segmentos. O poder desta ação nos quadros de cromolibdênio é largamente conhecido, hoje, ainda mais por cicloturistas experientes. Não vou dizer que ciclistas experientes usam quadros de cromo, somente, mas fico meio perplexo quando vejo cicloturistas experientes sobre frames de alumínio, e completamente desacreditado se o frame for de um material ainda mais tecnológico, como o carbono. É preciso respeitar a forma de pensar de todos, até mesmo pq muitas vezes não é tão fácil encontrar um frame de cr-mo no tamanho e na geometria desejada. Bom... na segunda parte a gente vai falar mais sobre esta jóia...
| Inconfundível estrutura da marca GT e fixadores superiores para bagageiro traseiro |
segunda-feira, 3 de março de 2014
No feriado... a gente foi pra Granja Armadilhas!
| Piloto: Marcelo Meier |
Todo mundo foi viajar no feriado... o badalado carnaval era motivo para muita coisa para alguns. Pra nós, bem, pra nós era motivo de diversão. Quem sabia fazer downhill foi descer a ladeira em um point excepcional que a Granja Armadilhas possui. O local mostra potencial para o esporte, com direito a cenários lindos visto do alto. A fauna e flora local, nativas, realmente são um atributo da G.A. e a gente até perde um tempinho olhando para aquilo que as pessoas dizem ser nada. Para nós é um cenário incrível... Os cactus são fortemente vistos representados em uma dezena de espécies, talvez mais. Caminhando nas trilhas, escutávamos o som dos animais, do vento e de longe vinha aumentando o ruído dos pneus. Era o sinal de que um piloto se aproximada em alta velocidade, devorando a descida e cortando o vento em cada pulo. Desmontados da bicicleta, os pilotos se misturavam em rodas de conversas com espectadores, acompanhantes e até fotógrafos. Churrascos ou chimarrão, sanduíches e outros lanches completavam os momentos de descanso da descida. Risos e brincadeiras... este é o downhill! Ao fim do dia, alguns ficaram... "Topa um churrasco?" E vamos novamente... Saímos de lá tarde da noite, por volta das 24 horas. Não tinha ruim... diversão na veia em pleno feriado de carnaval. Foi assim no sábado, no domingo teve uma galera que foi pra lá também... e agora nesta terça estão planejando novamente. Enquanto o carnaval sem sentido para nós vira oportunidade de diversão sobre a bicicleta, estamos dentro! Uns pulam, outros olham, e a gente se diverte.
Os links para download estão completos, imagens com aproximadamente 2 megas, formato de impressão. Agradecimentos a todos, mais uma vez, por grande dia de diversão.
A reconstrução de uma Sekai 1978
| Sekai, 1978. |
| Shimano Nexus Inter 3 |
Dizer que reconstruir é um projeto de curto prazo de tempo pode ser um erro. Sempre vi entusiastas da reconstrução e da restauração e percebi que eles se dividem em dois grupos. Existem os imediatistas e os cautelosos. Ambos podem ser bem sucedidos na tarefa, especialmente se tratando de projetos com características próprias (casos da reconstrução). A restauração é um projeto que normalmente não me interessa... A verdade é que uma vez restaurada, a bicicleta não é de verdade uma bicicleta original. Então, lamentavelmente, para os mais exigentes, não existe uma bicicleta inteiramente original após a restauração. Isto não quer dizer que restauração ou reconstrução não devam ser realizadas. A expressão veio de um amigo da pescaria, mas cabe perfeitamente para exemplificar esta questão: "O peixe é meu e faço que quiser com ele!" Referindo-se a soltar o pescado pq o pescador tem seus próprios ideais.
Durante algum tempo pensei muito sobre o que fazer com esta bicicleta que não possuia mais o selim e os aros originais. A pintura estava ausente em alguns lugares e os tubos de aço Tange estavam "cariados" em alguns lugares. Me corta o coração ver um tubo de qualidade sendo consumido por falta de proteção contra o tempo, por isto a decisão foi de realizar o jato de granalha e pintar em eletrostática. A decisão veio aos poucos, com o passar de uns 12 meses, eu acho. Então comecei a elaborar como ficaria este projeto, nada original em relação a concepção do fabricante, mas totalmente original na questão da obra reconstrutiva. Antes, a Sekai possuia rodas 27", como quase todas as road de sua época, mas agora seria rodas 700 com pneus 38. Antes eram 10 velocidades e guidão de estrada, agora passeio, posição confortável com um cubo de 3 marchas internas. O foco principal do projeto era trazer a mesma de volta as ruas com um conceito urbano, do passeio! Viável para seu uso cotidiano, a bicicleta reconstruída passou a pertencer a um novo modo de vida. Seria uma proposta totalmente descompromissada com o conceito passado. Tornara-se uma dama para desfilar nas ruas... não mais era aquela amazona implacável do asfalto. Rodaria as ruas e avenidas de um centro urbano a procura de muito mais do que emoção da velocidade. Ela andaria vagarosamente com conforto, estilo e um estilo mistura antigo e moderno. Os pneus Kenda de medida 700 x 38C foram fornecidoss pela Camptrail, possuem ótimo desenho e desempenho. Eles oferecem pouca resistência ao rodar, mas são muito seguros no asfalto e outros pavimentos. Os cubos, aros e paralamas foram fornecidos Adventure Bike Shop, assim como a pintura eletrostática. Estes aros na cor de alumínio natural possuem grande qualidade e se encaixaram perfeitamente no projeto. O cubo traseiro Simano Nexus de 3 velocidades e freio tipo contra pedal garantiu eficiência, conforto, segurança e um visual limpo para a bicicleta. Este visual limpo era uma das metas do projeto, não poderia ser feito de outra forma sem um cubo de marchas internas. Com relação aos paralamas fiquei muito satisfeito pela qualidade, visual e perfeita adaptação. Estes paralamas possuem grande facilidade para serem instalados, conforme descreveu Carlos (Tchaka), nosso especial mecânico e colaborador.
O guidão e avanço (mesa) foram escolhidos devido ao tipo de aparência se tratam de peças de muito garimpo, pois não são encontrados com facilidade no Brasil. Mesas e guidãos de Cr-Mo, ainda mais com este acabamento niquelado, são extremamente raros, ainda, pelo menos por aqui.
A bicicleta ficou com um visual muito atraente... quem observa a imagem pode perceber que se trata de um um exemplar simplista e ao mesmo tempo requintado. Certamente é uma peça que se encaixaria perfeitamente no cotidiano das ruas de cidades com cenário clássico, como Porto Alegre. Atenderia vitrines e comerciais pela qualidade final do projeto, mas como sempre digo... bicicleta é um veículo para ser usado, não para ser guardado. Por este motivo finalizo com roda pra frente...
Agradecimentos a Adventure Bike Shop, do amigo Ricardo Machado, também a Camptrail do amigo Tiago Lumertz, e por fim e não menos importante... ao mecânico e amigo Carlos W. Horn, vulgo Tchaka. Sem este apoio não seria possível finalizar o projeto. Para saber mais deste projeto, vc pode acompanhar a Revista Bicicleta, possivelmente edição de março de 2014.
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