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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Pra relacionar teoria com a prática... sustentabilidade e economia!




          Muitas pessoas dizem, algumas realmente conseguem aplicar... falar em sustentabilidade, economia e observar as tendências é uma tarefa complicada se tratando de crianças. A meninada do século 21 nasceu em apartamento, praticamente não conhece praça ou natureza e andar na rua sozinho ficou muito perigoso. As tendências enjaularam as crianças na medida em que as cidades cresceram... formamos muitos problemas para solucionar! Então, acabou sendo natural... as crianças até querem ir para as ruas, mas os pais não permitem. É um tal de criança jogando videogame sem nunca ter subido em um skate ou bicicleta... e assim fomos distanciando nossas crianças da realidade. 
Fica difícil aproximar a criança de uma realidade quando a questão não exige um esforço... acender uma lâmpada é fácil, esquecê-la ligada é mais ainda. Com um toque se liga o videogame, mas toca o telefone ou surge alguma distração e lá fica o aparelho dos jogos ligado, consumindo energia, ou melhor, desperdiçando! Foi assim que Ricardo Zanona, que administra a cantina do colégio Pastor Dohms, teve a ideia para mexer com esta consciência da gurizada. Entusiasta da bicicleta e ciclista, elaborou a ideia de ligar uma bicicleta a um sistema capaz de carregar um celular. Uma ideia bem simples... ao pedalar a bicicleta que não sai do lugar, a roda movimenta uma polia que transfere tal energia para girar um alternador de automóvel. O alternador de automóvel é um dispositivo que gera eletricidade para recarregar a bateria de um carro e manter as demais funções que necessitam da tensão elétrica. O alternador neste caso, preso ao rolo de exercícios na bicicleta, converte a energia motriz produzida pelo homem em energia elétrica. Esta corrente fornecida pelo alternador pode recarregar aparelhos celulares. Com esta ideia, Ricardo espera gerar consciência nos pequenos... "pois durante o exercício eles percebem como é trabalhoso pedalar por um período para recarregar o celular." 
A convite do autor deste projeto, fomos até a escola onde se encontra o aparelho da experimentação, constatamos o sucesso da brincadeira que gera consciência de gente grande. É vantagem aproximar os jovens de questões pertinentes ao futuro, mas sabemos que existe uma forma adequada para conquistar através da curiosidade e reflexão. Este foi um papel importante de Ricardo dentro da escola, mesmo que não fosse tarefa dele, incentivou a reflexão também nos adultos... ficam as perguntas: O que podemos fazer para interagir com os jovens? Qual o papel de um adulto dentro de uma sociedade? Podemos fazer mais?

Nós acreditamos em pessoas como Ricardo... capazes de fazer mais, além de suas funções e que ajudam a transformar o mundo. Estamos gratos por esta iniciativa!

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Malandragem... e ansiedade nos motores!

Foto: Roberto Furtado
       Hoje, experimentei duas situações distintas da vida de ciclista. Sabe quem me conhece, que há tempos, não sou mais o ciclista que fui um dia. Ainda que seja um ciclista eventual ou de objetivos modestos quando ligados a bicicleta, mereço todo e igual respeito que outro ser humano. Ou melhor, somos cidadãos, merecemos todo respeito do próximo.
         A primeira experiência foi com minha a ida ao correio. Peguei a nova Giant e fui ao correio levar notas fiscais que envio para os clientes. Ao chegar no correio, lá estava o segurança do correio que estava sentado ao lado da porta, porem pelo lado de dentro. Ele me conhece e sabe sempre deixo a bike ali. Eu fui para o fundo da agência para ser atendido, mas sem tirar o olho da bike, que na verdade estava a menos de 5 metros de mim. Cuidando o movimento da rua enquanto a atendente calculava o valor das cartas, vi que um sujeito passou pela calçada e olhou para a bicicleta, mas foi adiante. Menos de 20 segundos depois, ele voltou e ficou fora do meu ângulo de visão, mas em um local que para chegar na bicicleta, precisaria pular a grade para alcançar. Fiquei de olho pq vi que era malandro... então, ele se fez de louco e foi na direção da bicicleta. Eu já estava me aprontando pra voar pra rua, quando o segurança abriu a porta e se fez presente dizendo: Fala meu amigo! O que tu estas procurando?" O cara perdeu o rebolado... ficou ali falando coisa meio perdido, dizendo que procurava um endereço, blábláblá. E eu vi que tinha escapado de uma boa... mas eu acho que ele não ia ter tempo de dar a segunda pedalada antes de ser parado pela gola da camiseta.
A segunda foi no trânsito... descendo uma lomba pela faixa bem da direita (Oscar Pereira), vi que adiante um automóvel ligou o pisca, sinalizando que iria converter a esquerda. Atrás deste automóvel vinha outro, que reduziu, e resolveu trocar de pista bem na hora que eu estava passando. Quando me vi naquela situação trouxe a bike pra perto do meio fio... tudo que deu e acionei os freios da bike. Mantive o equilíbrio e escapei de uma outra boa... mas gritei com o motorista. Logo ali adiante, como fechamento da sinaleira, encostei ao lado do automóvel e bati suavemente no vidro... "ô meu amigo, não me viu?" E disse ele: "Vi sim, mas percebi que podia passar junto!" 
Devolvi, "cara, tu podia ter me derrubado lá atrás!" Ele respondeu: "Tu não tem mais nada pra fazer?" Como quem diz... "tá de bicicleta, né vagabundo!" E eu disse... "não, não tenho mais nada pra fazer, só sei andar de bicicleta."
Me fui, com um sentimento de angústia, domado pela quase maturidade... é melhor deixar quieto, pq não existe lei e nem bom senso, e quem vai perder sempre é quem esta sobre a magrela. E hoje, mais uma vez, tive a sorte de não perder a bicicleta e de voltar pra casa, pois lá fora esta passando um filme de terror por 365 dias do ano, que começa, termina, e reprisa outra vez. Cuidado é preciso... um cuidado maior do que cuidar de si mesmo, uma atenção redobrada contra a desatenção de quem dirige, mas também contra quem é desfocado em termos de certo e errado. 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

4 anos de prisioneiros sentimentos... a Massa patrolada por Golf preto!


     Quantas? Afinal, quantas vidas vale sua pressa? Neste momento falamos de mais de 20 vidas que felizmente não se foram, mas que serviram de força nesta luta da bicicleta no trânsito. Aos que se machucaram, lamentamos. Também comemoramos pq ninguém morreu. O ato violento de Ricardo Neis é algo injustificável... provocado ou não, ninguém pode, em hipótese alguma, acelerar e mirar o carro sobre seres humanos. 
Já se foram quatro anos desde o incidente... a justiça tarda, se arrasta, talvez tenha seus motivos... a quem espera, não importa! Diga para os esfolados, e lesados... bicicletas e corpos destruídos, muito mais que isto, sentimentos amassados por violência desmedida. Quem engole esta? Ora, toma pra ti se discorda! A Massa isto, a Massa aquilo... onde esta, afinal, o direito de "patrolar" as pessoas. Há, para quem esquece, o lembrete que todo ciclista tem uma família, um amor, um sonho. Temos, todos, amores em espera em nossos lares. E... quantas vidas vale a pressa de quem não suporta uma manifestação? Quantas vc pode engolir e assumir como responsável motorista? A quem diga, que um bom coração quando envolvido em acidente de trânsito com vítimas fatais, jamais sobrevive feliz depois de ser responsabilizado pelo fim de uma vida. A quem diga que a vida encerrada é o peso que o motorista carrega até o fim dos dias... eu acho que é verdade, quando o coração é bom, acredito! Sou motorista, sou jornalista, sou sonhador de ideais que jamais se planificarão, mas espero que nunca me torne autor de um acidente, farei tudo por isto! Afinal, quanto vale tua vida vivente? Quanto ela vale para mim, para teus amores, para quem tu espera chegar em casa de uma jornada de bicicleta? Lembra sempre, teu irmão, pai, mãe, filho, primo, neto, etc pode estar nas ruas, neste momento. Dirija com cuidado... peça por justiça, mas acima de tudo, previna! Pq lamentar é uma resultante da irreversível situação do caos de carros e bicicletas. Roda pra frente...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A Ghost Bike de Joel Fagundes



 Sentar pra escrever sobre coisas felizes é bastante fácil... a bicicleta nos dá isto, mas agora o assunto não é tão produtivo por estar alimentado por tristeza. Pensei bastante sobre o que escreveria, pois as pessoas que conheço merecem esta atenção, esta palavra confortante. No entanto, estou forçadamente incumbido de dizer algo que a situação precisa. Sinceramente, gostaria mesmo é de saber como mudar estes resultados. Não quero falar sobre ciclistas ou pedestres que morrem pela ação irresponsável de terceiros. Não se trata de automóveis, se trata de irresponsabilidade. Existe uma frase que não é minha, não sei nem mesmo a origem... durante o desarmamento em forma de campanha, aqueles que protestavam sobre o direito de possuir armas em suas residências diziam: "Armas não matam pessoas, pessoas matam pessoas!"
Este final de semana, jovens drogados, segundo os jornais, entraram em discussão, uns mataram o outro, passaram várias vezes com o automóvel por cima e depois enterraram o corpo nas dunas de Xangrila. Não usaram uma arma para matar, usaram um automóvel, que em outros papéis justos, também serve de viatura de polícia, ambulância, transporte escolar, ou do cotidiano para fazer comida na mesa. O que mata uma pessoa é o mau uso de algo... a faca que corta o pão, mata na mão de alguns. A cerveja na mão de outros, também mata, em exemplos diferentes... uma garrafa de cerveja já matou pessoas. Certa vez, em um bar, durante minha juventude... vi uma garrafa ser arremessada, atravessou o bar e encontrou os lábios de uma bonita jovem. Não preciso dizer que aquilo arrebentou com a boca da garota. Era dentes, sangue, um horror! Pessoas machucam pessoas, pessoas matam pessoas... a questão é como controlar isto? Deveria uma pessoa ter a chance de matar pela segunda vez? Não dá pra adivinhar que um condutor munido de volante mate alguém antes da primeira vez, exceto se todos fossem muito bem vigiados, mas pela segunda vez? Esta certo isto? Deixaremos este taxista voltar as ruas para continuar este maravilhoso trabalho de transportar e talvez matar pessoas?
Gostaria de coração que tudo isto fosse uma história inventada... preferia ter que falar sobre tecnologia da bicicleta, ou como é bom andar de bike, mas quis o trágico destino encontrar Joel. Joel Fagundes, 62 anos... sei que era arquiteto, tinha família e tal. Ontem, eu vi muito mais que isto... vi que ele era querido por todos que estavam ali. Não havia comportamento de revolta, ou se havia, estava muito bem controlado no coração de cada um. O que havia era sofrimento, as pessoas que não aceitavam a não convivência com Joel. Quem ama, quer! Quando não pode, sofre, simples assim! Para quem mata, a vida segue... para quem perde, fica a marca impressa no asfalto, sem direito a devolução. A vida não é nada justa! Me desculpem se agora, mesmo sem conhecer antes, vejo Joel como uma baixa de guerra. Eu prefiro, agora, imaginar que Joel foi um soldado da paz, que ele, junto com outros, estão fazendo parte de uma "turma pacífica" que deram suas vidas por outros que querem paz. A morte de Joel foi em vão por todo entorno, da tragédia, mas eu sei que ele é mais algum peso que o sistema vai carregar e uma hora não vai ter forças para ir contra. Quando o céu abrir e a bicicleta for justa e aceita, ela terá também a mão de Joel. Eu só tenho um pedido a fazer neste momento... que a dor seja "acalmada" na vida de quem ele pertencia. Acalmada porque ela é inevitável, não se consegue esquecer isto! Não aceitamos que os amores de alguém sofram por atos de um vivente irresponsável... 

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Na mobilidade e no exercício do trabalho... repórter ciclista!


Sempre me dedico as reflexões a todo momento, pois elas me levam ao futuro que pretendo chegar. Hoje, enquanto dirigia para ir ao centro, pois iria fotografar o caminho do gol, me deparei com um engarrafamento de proporções catastróficas. Avenidas Cavalhada, Nonoai, Teresópolis entupidas por condutores desesperados por chegar ao destino. Bom conhecedor de Porto Alegre, e isto sou graças a um antigo trabalho que já exerci, de entregador, escolhi ruas vazias por entre os bairros e fui me espreitando... até que cheguei na Orfanatrofio e consegui alcançar a casa dos meus pais em Teresópolis para abandonar o carro e virar o que realmente sou... um ciclista! Me organizei e me transformei no repórter fotográfico ciclista, me desloquei com grande facilidade até a Borges de Medeiros onde encontrei um público alegre que se deslocava aos poucos em direção ao Beira Rio. Conduzi meu destino na velha GT Corrado para o viaduto dos Açorianos. Onde encontrei o palhaço sobre uma grande bicicleta. Fantástica bicicleta gigante que deve gerar segurança para o ciclista e insegurança para os automóveis... talvez, não tenho certeza! 
A bicicleta me permitiu um trabalho ágil, onde eu certamente levava vantagem a todo instante... encontrei colegas jornalistas no trajeto, que certamente perceberam a vantagem em que eu me encontrava pela minha escolha de vida. A bicicleta é sabedoria... ela é ágil! Sobre ela, correndo, consigo uns 20-30 km/h, a pé... dificilmente uns 15 km/h. E nem considera o desgaste, pois fiz uns 16 km e estou inteiro! 
A torcida laranja, laranja mecânica é alegre, amigável, exemplar... como pode um país com restrição de "chão" ter tanta qualidade na formação de seus cidadãos em relação ao Brasil? Vos digo... "O Brasil tá com nada!" Na copa, certo de que não leva a taça... já a Holanda, não sei não. Acho que eles tem potencial... se for no campo também, justo! Porque é evidente que na formação dos seus cidadãos, já deram baile no Brasil. Que eventos como este sirvam para nos enriquecer, afinal, aprender, mesmo que envergonhados como nos sentimos devido ao que oferecemos aos turistas, ainda é um grande trunfo do saber. 
De bicicleta fui e voltei... trabalhei com dignidade, será que não podemos mudar isto com mais qualidade?
Me orgulho muito do que acabei me transformando... sou um repórter ciclista, um tipo raro, nem por isto melhor ou pior, apenas com uma característica muito própria.