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terça-feira, 5 de maio de 2015

Reconstrução... mais um projeto com Nexus Inter 3

Shimano Nexus Inter 3. Foto: Roberto Furtado / Bikes do Andarilho.com
           Depois de algum tempo sem reconstruir nada, resolvi meter a mão na massa novamente. De vez em quando é preciso falar a respeito, pois motivar o mercado da bicicleta é de uma importância muito maior do que se possa compreender. O efeito bola de neve entre uma postagem e outra, bem como as bikes bem reconstruídas que circulam pelas ruas, acaba gerando novos entusiastas. Já felei isto por aqui algumas vezes... e este mesmo efeito um bom exemplo do comportamento que devemos assumir nas ruas, como motoristas, como ciclistas ou pedestres. Aquela velha ideia do "seja vc a mudança que vc quer ver no mundo!"

The Bicycle
          
         A bicicleta do projeto vai ser uma bike simples... da década de 80 ou 90, ainda estou entre duas. As vezes penso que é preciso produzir a ideia em cima de uma bike que esteja ao alcance de mais pessoas, pois pegar uma bike "mosca branca" é o mesmo que desestimular o vivente que teria potencial para se aventurar. É muito mais interessante promover a reconstrução em algo que há sobrando nas bicicletarias e até nos ferros-velhos do que algo que "um primo tinha em casa uma bike tri rara!"
Então, por causa disto, resolvi que vamos pela simplicidade... pq simplicidade é algo que se relaciona com viabilidade, também com mobilidade ou uso coerente das vias. Me incomoda é ver o mau uso das vias, onde a vez é sempre do automóvel que impede o surgimento de novos ciclistas. Vejo as pessoas falando mal do prefeito de Porto Alegre, e durante muito tempo pensei que era uma questão política, mas hoje percebi que a prefeitura é realmente contra a bicicleta. Isto é algo que não se entende, pq só um país atrasado não compreende a importância da bicicleta. Este já é outro assunto, apenas aproveitei a oportunidade para ser um ativista da bicicleta.

Shimano Nexus Inter 3

         O sistema de transmissão e trocas de marchas será um Nexus, modelo Inter 3 com freio contra pedal, da shimano. Para mim, esta é a grande solução para as bicicletas antigas que foram esquecidas no passado. A revolução da bicicleta passa por todas as épocas da bicicleta e junta o velho com o novo. Nós sabemos que este sistema de marchas internas em uma única peça, permite o viável ressurgimento de uma bike. Este sistema é tão confiável que esta sendo adotado no mundo todo. A popularização deste, permite a aquisição por valores realmente atrativos... Se vc pensar que é possível comprar um sistema de 3 marchas que já é um cubo traseiro e freio, então o único componente extra será um cubo dianteiro. Se o kit não possuir pedevela, inclua este componente pq é impossível fechar o sistema sem sua existência. E o que quero dizer é que se vc possuir uma bicicleta velha na garagem, sem marchas, vc terá uma boa bicicleta após a instalação do Nexus 3. Freios bons, trocas de marchas eficientes... e vc tem uma bicicleta muito boa para o tamanho do investimento. E olha que não estou trabalhando para a shimano... mas seria um bom investimento a divulgação "velha nova bicicleta com Nexus". 
De qualquer forma a ideia esta lançada... não de hoje, pois há tempos falo isto, mas a ideia cresceu bastante na cabeça de muitas pessoas, e uma fração disto se deve ao Bikes do Andarilho. Aguarda aí pq agora falta pouco... o Nexus vai ser entregue logo mais pelos correios, de acordo com o sistema de rastreamento. Agradecimentos aos nossos apoiadores...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Lembranças da TREK... uma série 800!




Estava organizando os arquivos e encontrei algumas imagens que me causaram suspiros... As bicicletas da séire 800 da TREK! Elas são como amigos que perdemos para o tempo. Lembrança é sempre um sentimento bom, que carrega também um pouquinho de tristeza. Lembrei disto que tive, três bicicletas, de marca que respeito e que faziam minha alegria. Esta azulzinha tem peças de speed. E repara... trocadores de marchas da shimano, para guidão reto, compatíveis com cantilever. Lembrei disto agora... quando olhei para o pedevela. Postagem simples, só pra vc relembrar comigo... ou pra conhecer, pq tem leitor aqui que chegou bem depois de uma caminhada longa. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Na Revista Bicicleta do mês de julho...

Bom dia!
Informo que na Revista Bicicleta do mês de julho, que circulará nas bancas nos próximos dias, encontra-se a matéria que elaboramos sobre uma bicicleta com quase 20 anos de existência e estado especial de conservação. Realmente, uma bicicleta 100% de época, "quase que exatamente" como nasceu. O cenário das imagens foi uma ideia do nosso assistente de produção, meu amigo, Raul Grossi. Também entusiasta e conhecedor de fotografia, Raul tomou decisões importantes quanto a direção de fotografia. 
O cenário escolhido remete uma lembrança forte de montanhas do exterior, que pode ser uma sugestão de como e onde nasceram as MTBs. Elas nasceram para desbravar, andar por entre trilhas ruins e garantir o deslocamento rápido e divertido de aventureiros. Em histórias onde o passado confunde o propósito, ou simplesmente os soma, podemos dizer que reside também a paixão daqueles que entendem o significado de uma época. As MTBs evoluíram rápido, hoje, são altamente especializadas. As finalidades garantem o uso específico. Enduro, XC, XCM, DH, FX, etc Que seja uma opção para cada gosto, ou todas elas juntas se o seu bolso permitir. Em tempos onde vendas de automóveis começam a ceder, surge um crescimento e interesse por bicicletas. As antigas são retiradas da garagem do esquecimento, as novas são comercializadas e usadas de forma radical ou necessária, a produção aumenta, os conceitos se firmam e novos tempos estão surgindo com o piscar de olhos. Em NH, descobri esta velha guerreira que volta as ruas na mão de um novo proprietário... Reginaldo! Agradeço pela aquisição, pois o capital de testes e histórias deve girar para novos projetos. 
Agradeço ao Raul Grossi por todo apoio e ajuda na produção fotográfica, ao Carlos Wagner Horn (Tchaka) por limpeza e lubrificação. E a Revista Bicicleta por acreditar no nosso trabalho. 


Fotos e Texto: Roberto Furtado

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Uma Raleigh MT200 e questões da tecnologia






 Reciclar... Este deve ser um dos assuntos mais falados na atualidade, pois acho justo, necessário e muito divertido. O que nós podemos fazer para reaproveitar ou promover a continuidade dos objetos que temos ao alcance? Bom, acredito que manter e conservar estes equipamentos de gerações anteriores é uma ótima alternativa para cultivar esta cultura old school. Neste caso, o estado da pintura do frame estava tão boa que poucos acreditariam que a bicicleta tem uns 19-20 anos. E quando colocamos peças modernas e novas, garantimos o uso desta guerreira por mais 10 anos, tranquilamente. Este modelo possuía originalmente peças de nível shimano altus, mas na remontagem optamos por colocar um alívio como câmbio traseiro e trocadores, pois isto daria um prestígio pouco maior para ela... e merecido seria.
A opção de 24 velocidades esta um pouco além do que se imaginava para uma bicicleta de passeio na época, mas na atualidade cai muito bem. A marca Raleigh é conhecida por qualidade. Muitos admiradores da marca se mantem fiéis a ela, mas é certo que este fama é algo que veio de um passado distante, quando os frames de aço e/ou cr-mo invadiram o mercado europeu, proveniente do Reino Unido (Frank Bowder,1887), mas posteriormente firmou-se no americano, onde é sediada até hoje. Se observa estas belezas citadas como Raleigh USA, mas originalmente eram inglesas existentes somente versões inglesas. O emblema ainda é o mesmo, tornou-se marca registrada e é reconhecido a distância por aqueles entusiastas. Durante os anos 90, foram atribuídos a linha de fabricação modelos de conceito passeio urbano e MTBs.
Originalmente, a MT200 possuia freios tipo cantilever, mas na oportunidade de transformar a bike em uma eficiente proposta modernizada, substituímos os freios originais por vbrakes novos, modelo altus, da shimano. Esta ação permitiu uma "compatibilidade" eficiente com o aro das novas rodas. E verdade seja dita, os freios atuais são mais eficientes, facilmente ajustados e praticamente a prova de dor de cabeça. Até mesmo a remoção das rodas em caso de pneus furados se torna uma tarefa fácil. Blocagens eficientes da shimano com o fácil desconectar dos vbrakes agiliza a operação. Em 5-8 minutos o pneu esta consertado e recolocado. É fato... alguns ciclistas estão tão eficientes na manutenção de pneus que isto se percebe em grupos de passeios ou mesmo nas ruas de uma cidade grande. 
Um grande diferencial deste modelo... algo que considero realmente incomum no passado e ainda mais na atualidade é a junção de Cr-Mo com alumínio. Depois de todos estes anos envolvido com pesquisa e garimpo de bicicleta, não havia visto pessoalmente. Até então, escutei falar, mas não acreditei. Não é fácil compreender pq um fabricante faria isto, mas possivelmente a melhor resposta seja divida em duas. Na justificativa de um fabricante para um público consumidor, imagino que a resposta seja de que utilizando top e down tube em alumínio obtinha-se uma redução de peso. Certo... pode ser que seja esta a argumentação. Contudo, na década de 90 especulava-se o uso de alumínio como uma vantagem de material tecnológico como resposta a tudo. Na verdade, os grandes fabricantes, frente a uma nova avalanche de fabricantes de frames de cr-mo e aço de boa qualidade, perceberam que era preciso evoluir para "despistar" o mercado dos aproveitadores que agora queimavam preço no mercado. Esta corrida tecnológica marca uma geração e removia alguns iniciantes do mercado ao passo que todos os grandes possuiam frames de carbono e alumínio em suas linhas de produção. Até mesmo o titânio foi utilizado para derrubar os fabricantes em início de carreira. Então esta união entre Cr-Mo e alumínio da Raleigh MT200 certamente era um trunfo tecnológico com intenções de sobressair-se em relação as demais marcas. Mesmo possuindo um grupo simples, como o Shimano Altus, ela reunião características fortes da qualidade. Tal observação é verdadeira que componentes não relacionados a relação de marchas e freios, como mesa, canote e aros, foram aplicados com uma qualidade de nível bastante alto. Foram utilizadas peças de grife para aquela época, com mesa e canote de cr-mo (extremamente pesados), também aros da marcam Weinmann. O garfo da bicicleta também é dr Cr-Mo, como grande parte da estrutura principal, demonstrando robustez de um tempo onde as bicicletas não tinham prazo de validade. Não que a atualidade não possua qualidade... não é isto, mas os frames de hoje são projetados com finalidades de outro conceitos. Os frames atuais têm perfil competitivo, tecnológico, de baixo peso, as vezes comportamentos específicos a torção e flexão. É o futuro desejado para o automóvel aplicado em grande parte das bicicletas atuais. Nunca se viu tanta tecnologia da indústria como ocorre nas bicicletas. 
Uma importante crítica, algo que tenho feito sempre que possível, é quanto a qualidade dos componentes atuais. A Shimano e outras grandes marcas tem demonstrado um capricho de alto nível, como soluções inteligentes que posso indicar como democráticas, pois estão pouco a pouco ficando ao alcance de todos. Exemplo disto é o cubo de conceito centerlock, que permite ser aplicado em modelos de vbrake ou disco, sem prejuízo em um das duas escolhas. Produzir um sistema que possa ser instalado em ambos os modelos permite sua popularização, pois antes quando eram produzidos 60.000 peças para vbrake e 20.000 peças para disco, agora fabrica-se a quantidade que supri o mercado de ambas as opções e bolsos. Isto favoreceu a popularização do freio a disco que num futuro próximo, acredito, atingirá a totalidade das bicicletas. Entendo isto pq o custo de produção se reduz, e então aumenta-se a procura, e mais ainda se reduz o custo... e pela eficiência do disco, especialmente por preservar os aros do desgaste das frenagens, pode ser um novo caminho para sustentável opção da manutenção em bicicletas. Isto, o tempo escreverá, não desta forma, talvez, mas como novos conceitos que ainda vão surgir.