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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Mais uma bike pra comentar... Giant Prodigy - Parte 01


Pedevela Exage 400 LX apresenta os sinais do tempo... mais de 20 anos!

Os freios cantilever receberam sapatas de freios novas, XTR. Muita eficiência agora...

Agilidade e precisão nos STI Deore LX de 24V.

Simplicidade nos aros e pneus, mas conforto e bom desempenho ao rodar pela cidade. 

Pintura apresentava marcas de uso, mas ainda com boa qualidade e resistência ao tempo.

Embora estivesse com garfo original, substituímos por um garfo com espiga mais longa para utilizar caixa aheadset std.

O que é a Giant Prodigy?
       
           Bom, acho que podemos dizer que é uma bike com multi perfil... Com rodas 700, a Prodigy é uma bike de uso diversificado. Se aplica bem o cicloturismo, pode ser usada com muita qualidade e segurança em mobilidade urbana e, ainda, se o destino for os maus caminhos esburacados de uma estrada de chão, poderá se aventurar, pois aceita pneus grandes como os 700 x 42C. O modelo em questão é uma velha guerreira de atribuição Fitness de acordo com o fabricante, contudo, como disse acima, se trata de uma bicicleta capaz de superar bons obstáculos e confiável em qualquer jornada ciclística. Comprei esta bicicleta com alguns poucos detalhes necessitando de atenção. Já não possuía os cubos originais e trocadores originais, também lhe faltava o selim da época e o pedevela do lado esquerdo esta trocado por um ching ling. Contudo, o valor foi relativamente atraente e algumas peças possuía em meu estoque de garimpo depois de anos desta prática de criticar e resgatar o passado. Me apaixonei tanto pela bicicleta que decidi ficar com ela... e tentei deixar a mesma com componentes de época. Sabemos que esta é uma tarefa praticamente impossível, mas deu pra sentir um pouco a travessia dos tempos. E surpreende ver uma bike destas com pintura original e com desempenho tão bom quanto algumas modernas. A geometria é espetacular! 

Os componentes

          Embora esta e outras bicicletas possuam mais de 20 anos, encontram-se frequentemente componentes de época circulando em vias das grandes cidades. Geralmente, tais componentes estão "embarcados" em bicicletas antigas. As vezes vc consegue propor ao dono, um valor ou troca de componente para fins de um estoque para o momento futuro; outras vezes é a salvação de um grupo completo em uma velha bike no lixão; ou nas listas e classificados vc encontra alguém se desfazendo de algo pq utilizou um moderno! Se encontra alguma coisa em bicicletarias velhas... hoje é difícil, mas no passado foi assim. Alguns profissionais da bike são especialistas nisto, tal como o amigo Antônio Adi, frequentemente são encontrados em feiras e exposições das antigas. 
Esta Giant Prodigy possuía um grupo Exage com versões do 400 e 500 LX, era comum na época encontrar um cambio dianteiro 400 e um traseiro 500 na mesma bicicleta, de fábrica. Os câmbios ainda eram originais... bem como freios e pedevela. Infelizmente, o lado direito do pedevela sofreu alguns tipo de problema, possivelmente de rosca espanada e foi substituído por um qualquer. Então, consegui o braço esquerdo exatamente igual, mas este tipo de sucesso é raro! As coroas originais deste modelo possuem 50, 40 e 30 dentes, fabricadas em aço. Coloquei rodas com cubos shimano RSX (para 8 ou 9 velocidades), cujo desenho é o mesmo dos originais Shimano Exage. Os aros são novos, mas se parecem com os de época. O cassete de 8V é novo... e fico triste pq esta difícil de conseguir um como eu gostaria, mas logo chegamos lá. Os trocadores são Deore LX, de 24V, perfeitos em funcionamento, mas ligeiramente mais novos que os originais desta bicicleta, que possivelmente se parecem com Exage Country e 400LX. Há informações faltantes ou até mesmo incorretas na internet... então precisar o modelo é uma tarefa de pesquisa, muito com base na verificação de bicicletas originais de mesmo modelo e ano. O problema é que esta não é uma bike tão comum assim...
Pra não deixar passar em branco... certa vez fiz uma observação sobre os câmbios exage, de alguns modelos, cujo braço de acionamento do câmbio é uma peça separada do corpo e articulado com molejo. Tal dispositivo deixa muitos ciclistas curiosos e questionando a finalidade, aproveitando que o cambio traseiro em questão é com este tipo de construção, explico mais uma vez. O acionamento dos botões do rapid fire (as alavancas), geralmente possuem curso capaz de recolher o cabo de forma a trocar mais de uma vez a marcha em único acionamento. Com o dedo polegar acionando a alavanca até o fundo, sobe-se até três marchas de única vez. Isto pode desencadear um esforço súbito do sistema devido ao excesso de carga, então a mola no sistema serve para controlar o limite aplicado no cabo. Isto traz longevidade aos ajustes do câmbio, também protege o sistema. As situações foram superadas na atualidade de outra forma... e não podemos esquecer, não é necessário que um câmbio dure tanto assim. E quem duvida disto comparando ou afirmando que peças tops são tão resistentes quanto as antigas... pergunte para quem competia e agora trabalha como manutenção de bikes. Este biker dos anos 90 vai ter a resposta pra vc... sei pq já conversei com alguns com este posicionamento. 

sábado, 11 de julho de 2015

Entre o velho e o novo... fico com os dois!

Giant Sedona ATX series, ano 1994. Foto: Roberto Furtado / Bikes do Andarilho.com

Frame de Giant Atx, ano 2014. Foto: Roberto Furtado / Bikes do Andarilho.com
                   Há muitas opiniões quando o assunto é a tecnologia da bicicleta... eu mesmo, sou um fanático pela década de 90, a qual chamei muitas vezes de "a década de ouro da bicicleta". Há muitas escolhas e motivos para tais... "bicicletas são um elo estreito entre o homem e sua liberdade". Não há ciclista que discorde disto. Por muito tempo, vivi e usei bicicletas da marca GT, comprei duas novas nos anos 90. Uma delas foi a pé de boi da marca, uma GT Outpost, com grupo shimano altus e sis; a outra foi uma GT Karakoram, que era uma bicicleta de nível intermediário com grupo deore LX. Não sei onde a gente teria chegado se não fosse estas bicicletas, pois elas foram realmente uma escola importante sobre os anos 90. E sei que a conquista da bicicleta tem forte relação com este período. Ultimamente despertei pela bicicleta da marca Giant, pois em oportunidades me envolvi de forma desprendida com esta grande marca. Estou ligado a ela no momento por uma questão de uso... de verdade. Sei que a marca é muito elementar no que diz respeito a qualidade construtiva e já pude me inclinar sobre a preferência entre o atual e o passado. Escolho o passado, pois realmente me identifico com o passado pelo tipo de material utilizado em bicicletas. Contudo, não dá pra dar as costas a era atual por causa do material utilizado. É tecnológico? Sim! É bonito? Nem tanto como no passado! São fortes e bem elaboradas, mas o conforto tem suas vantagens e desvantagens. A velha história de sempre... é mais duro, mas é mais leve de maneira geral. Preferências são pessoais... e quando a delicadeza construtiva, a imagem das duas acima responde bem que classe é uma questão de época quando o assunto é estética! Nada contra o presente, pelo contrário... estamos em um momento ímpar da tecnologia. E ao meu ver, em pouco tempo teremos uma nova revolução construtiva sobre bicicletas. Nem alumínio, nem poliméricos, possivelmente aço... de alta qualidade, com novidades em técnicas construtivas. Assim são os ciclos de evolução com os materiais... o mais apto do momento, supera os demais. A era do carbono não deve passar do que já vimos... menos ainda os plásticos. O alumínio esta perdendo força para os aços em bicicletas não competitivas, prova disto foi a Interbike 2014, que em relação a 2013 já apresentou um crescimento estrondoso. Agora é aguardar... entre velho e novo? Fico com os dois, que fique claro! Eles se complementam...

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Não são antigas, mas lembram! Uma tendência retrô!


    Elas não são bikes "velhas" ou antigas, são novinhas. Os projetos são atuais e seguem tendências mundiais. Se vc for na Brasil Cycle Fair, ou se for na Interbike, talvez Eurobike, vai perceber que há fabricantes apostando nestas bicicletas com forte vigor. Isto vai vender muito, cada vez mais! Pode apostar! 
Uma grande fração do mercado de bicicletas é destinado ao público eventual ou mesmo do cotidiano da mobilidade urbana. As tendências são "desenhadas" pela sociedade, de forma gradual e evolutiva. Cresce a cada ano... agora esta numa proporção que impressiona. As fixas prontas estão aí para agregar, mas a mobilidade não é construída apenas de fixas. E pergunte quantos são os que se adaptaram ao conceito sem marchas e sem roda livre. Muito legal, divertido, excelente opção para entregadores e outros entusiastas, mas a fixa não é pra todos. Muito embora alguns acreditem ser a raiz das bikes... e de verdade, é! As fixas não são o tema desta oportunidade, mas acho que falar em bikes estilosas requer uma reflexão. Afinal, o tema é mobilidade... e para qual lado esta indo o design e a construção das bikes de mobilidade. Elas são clássicas, estão em alta! Todas, contudo, não dá pra negar que estão ganhando muito atenção de um público urbano. Retrô bikes... existe isto? Estão aí... confira, vá nas lojas, avalie por conta. Observe os projetos personalizados que andam nas ruas e parques... vc vai perceber que algo veio diferente, e com muita força!

 Não espanta mais que alguns toques de acabamento e até do design das bikes sejam baseados em projetos dos anos 50 ou posteriores a era de ouro da bicicleta de mobilidade. As cores, marrom, preto, azul antigo, até mesmo o dourado dos anos 60 e 70, puxam esta moda do retrô para bicicletas. Selim marrom, uma imitação de couro de época, aquele marrom com tom alaranjado, sabe? Pois então... esta tudo na moda, num ciclo, que possivelmente vai sumir e voltar novamente. Ou talvez não nos abandone mais... mas que veio pra criar impacto nos conceitos de mobilidade, isto veio. Como crítico de bicicletas, faz tempo que percebo esta tendência, mas confesso que no início não acreditava que isto colaria. Menos ainda que em muitos modelos pudesse ser aplicado o alumínio como opção. O aço... seria bem mais interessante, mas ele é também pesado nas versões mais populares, não agradaria tanto na hora de carregar a bicicleta pela escada... não é mesmo? Leveza, um rodar macio, design apaixonante... alto estilo pra dar uma volta, ir e vir do trabalho, sair com o amor para o café! Vale um convite para um amigo... estilo esta sempre valendo! É tempo de repensar, de organizar a casa sobre o que é certo ou errado, sobre comportamentos, sobre o que se realmente gosta!
Agradecimentos ao Dudu Bike pela disponibilidade das bikes, pela atenção, pela oportunidade. Quem quiser conferir as bikes, vai lá na loja e fala com o Everson ou com o Daniel, diz que o Andarilho indicou e ganha 5% de desconto. Se rola mais um descontinho não sei... mas estes 5% estão garantidos. Valeu... roda pra frente!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A reconstrução de uma TREK 370 - 2ª parte












fotografias: Roberto Furtado

           Bom, por partes... e tentando ser breve. A TREK 370 foi remontada com peças de garimpo. Dentre as peças originais faltaram o freios, que também são da shimano, porém de outro grupo de época. O Pedevela também não é fiel ao usado na época, embora seja um shimano Exage. O pedevela original da TREK 370 é um Exage EX de coroas com 53 e 42 dentes, bcd 130. Aqui, apliquei um de bcd 110, tal como o que vinha em algumas raras bicicletas road desta época. Se vc procurar aqui sobre a TREK 470, vai encontrar referências de um pedevela shimano RSX de bcd 110, com três coroas, sendo elas 48, 36 e 26 dentes. Aqui, na falta do original, optei por seguir mais ou menos a mesma configuração. Então os trocadores, cubos, câmbios e maçanetas de freio são shimano exage idênticos ao da época. 
Os aros foram outra dificuldade... era lâminas de alumínio, cor de alumínio, simples. Consegui estas, de 36 furos, para casar com os cubos exage. Os aros são muito parecidos com os originais, porém mais largos. Desta forma, ficou semelhante e evidente que mais forte! O grande trunfo da TREK 370 em relação as demais road bikes da época é que ela possuia um espaço maior para passar o pneu. Isto permite que o ciclista opte por pneus de medidas maiores, tais como este 700 x 28C, mas é possível ir até 700 x 32 com muita segurança. Algum pneu 700 x 34 deve entrar também se o perfil for mais estreito. Eu tentei aplicar pneus 700 x 35C e não tive sucesso, pois quando devidamente cheios, raspavam no quadro. Alguns pneus tem um formato diferente e com isto encaixam nos frames, enquanto ocorre também um pneu de mesma medida não entrar em um mesmo quadro. Cada fabricante trabalha com uma linha de projeto, e mesmo que as medidas sejam as mesmas, não ocorrem a perfeita substituição. Contudo isto deve acontecer somente quando uma bicicleta receber pneus com medidas maiores que as originais, pois o fabricante já calcula a margem de espaçamento que garante esta alteração por peças de outras marcas. Faço uma observação para quem for tentar aumentar o tamanho dos pneus... não esqueça que bicicletas com pneus maiores do que foram projetadas, podem encostar o pneu no frame quando fizeres a curva deitada.
           Confesso que não me preocupei nem um pouco com a questão de limpeza e polimento do frame, apenas deixando original como recebi de um amigo que é mecânico da loja Dudu Bike. As road bikes da época podem ter valor e aplicação diferente de acordo com o usuário. Eu queria ver esta bicicleta o mais próximo possível de sua realidade. O lugar dela não é nas pistas, embora seja uma filha de Éolos. Ela esta em casa nas ruas, vias urbanas de uma cidade que respira mobilidade... ela venta no asfalto, corre nas ruas esburacadas com seus pneus maiores que as bikes de pista. Estou usando ela de forma modesta para saborear este momento, pelo qual esperei mais de 20 anos para lembrar. Agora, sinto um cheiro nas ruas... algo como se o tempo tivesse voltado. Evidente que são minhas lembranças...

obs: Os pedais são de mtb pq estes que tenho em minha sapatilha da shimano, mas de forma alguma considere tais pedais como algo original ou próximo. A TREK 370 vinha com pedais de pedaleira.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Lembranças da TREK... uma série 800!




Estava organizando os arquivos e encontrei algumas imagens que me causaram suspiros... As bicicletas da séire 800 da TREK! Elas são como amigos que perdemos para o tempo. Lembrança é sempre um sentimento bom, que carrega também um pouquinho de tristeza. Lembrei disto que tive, três bicicletas, de marca que respeito e que faziam minha alegria. Esta azulzinha tem peças de speed. E repara... trocadores de marchas da shimano, para guidão reto, compatíveis com cantilever. Lembrei disto agora... quando olhei para o pedevela. Postagem simples, só pra vc relembrar comigo... ou pra conhecer, pq tem leitor aqui que chegou bem depois de uma caminhada longa. 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Na Revista Bicicleta do mês de julho...

Bom dia!
Informo que na Revista Bicicleta do mês de julho, que circulará nas bancas nos próximos dias, encontra-se a matéria que elaboramos sobre uma bicicleta com quase 20 anos de existência e estado especial de conservação. Realmente, uma bicicleta 100% de época, "quase que exatamente" como nasceu. O cenário das imagens foi uma ideia do nosso assistente de produção, meu amigo, Raul Grossi. Também entusiasta e conhecedor de fotografia, Raul tomou decisões importantes quanto a direção de fotografia. 
O cenário escolhido remete uma lembrança forte de montanhas do exterior, que pode ser uma sugestão de como e onde nasceram as MTBs. Elas nasceram para desbravar, andar por entre trilhas ruins e garantir o deslocamento rápido e divertido de aventureiros. Em histórias onde o passado confunde o propósito, ou simplesmente os soma, podemos dizer que reside também a paixão daqueles que entendem o significado de uma época. As MTBs evoluíram rápido, hoje, são altamente especializadas. As finalidades garantem o uso específico. Enduro, XC, XCM, DH, FX, etc Que seja uma opção para cada gosto, ou todas elas juntas se o seu bolso permitir. Em tempos onde vendas de automóveis começam a ceder, surge um crescimento e interesse por bicicletas. As antigas são retiradas da garagem do esquecimento, as novas são comercializadas e usadas de forma radical ou necessária, a produção aumenta, os conceitos se firmam e novos tempos estão surgindo com o piscar de olhos. Em NH, descobri esta velha guerreira que volta as ruas na mão de um novo proprietário... Reginaldo! Agradeço pela aquisição, pois o capital de testes e histórias deve girar para novos projetos. 
Agradeço ao Raul Grossi por todo apoio e ajuda na produção fotográfica, ao Carlos Wagner Horn (Tchaka) por limpeza e lubrificação. E a Revista Bicicleta por acreditar no nosso trabalho. 


Fotos e Texto: Roberto Furtado

terça-feira, 8 de julho de 2014

Teste - na avaliação de pedais Wellgo K20427


Um assunto bastante esquecido pelos veículos de comunicação, pouco comentado em listas de discussões. Muitos pensariam que não há muito para falar sobre os pedais e que eles podem ser classificados apenas como tradicionais ou clipless. 
Alguns ciclistas usam apenas tradicionais, enquanto outros não abrem mão dos calçados específicos para pedais de encaixe. Escolhas são escolhas, cada ciclista vai ter uma em decorrência de uso e experiências. As vezes o ciclista é da mobilidade urbana, precisa estar no trabalho com um calçado que não seja tão esportivo e tão pouco confortável para caminhar. Quem utiliza sapatilhas e calçados especiais para clipagem reconhece que o solado geralmente é muito duro para passar horas de pé, ou caminhando de lá para cá. Em muitos casos, sapatilhas em piso frio de interior acabam se comportando de forma pouco estável. Nos casos especiais, podemos lembrar que algumas sapatilhas possuem um desenho que permite o taco encostar diretamente no chão. O taco geralmente é de aço ou de plástico, dependendo do modelo e da finalidade, ambos são extremamente escorregadios nos pisos de pedra polida, sem falar no desconforto pela rigidez do solado. 
Refletindo sobre isto e aproveitando um novo projeto de reconstrução de bicicletas, apostamos em uma opção que não fosse de clipless. Ninguém fala sobre pedais comuns, falam apenas em pedais caros, então criamos esta oportunidade. Procuramos em algumas lojas e confesso que não foi fácil encontrar muitas opções de pedais simples e de qualidade. Comum é encontrar pedais rudimentares, cuja a face de contato do eixo geralmente não apresenta a borda de estabilidade de aperto que aparece ao fim da rosca. Esta base, embora muitos insistam em dizer que é desnecessária, têm dupla finalidade. Para quem não consegue compreender de que parte do pedal estamos a falar, detalhamos. O eixo do pedal é como um parafuso, possui rosca. Esta rosca, ao chegar no final, encontra uma face perpendicular a linha do eixo do pedal. Esta face, nos pedais simples, geralmente é alterada em decorrência de um aproveitamento de materiais e metodologia de fabricação. Nos pedais de melhor qualidade, esta finalização de rosca se apresenta com a aparência de uma arruela fusionada ao eixo. Uma das finalidades deste sistema é garantir o aperto e aumentar a estabilidade do eixo sobre o pedevela (pé-de-vela). A outra vantagem deste conceito de terminação é proteger o pedevela de apertos e retiradas do pedal. Podes ver que nos pedevelas onde foram aplicados pedais simples, ocorreu a remoção do material mais macio (alumínio), que não chega a prejudicar a longevidade do material, mas deixa-o com uma aparência ruim no local, depreciando o estado do mesmo.
Muitos ciclistas não estão ligados nestas questões, mas nós escrevemos para todos os públicos, então abordamos as questões que podem interessar do mais detalhista e, também aos que se interessam por alguma "firula" sobre pedais, se assim quiserem chamar os menos preocupados com detalhes. 
Este será um teste de uso recente e de uso prolongado, pois nós acreditamos nesta proposta. Pensamos que o leitor mereça esta opção de informação, não podemos ficar restritos a uma situação de teste de curto prazo pq não condiz com a realidade de quem usa no cotidiano.  
O pedal em questão é de uma marca tradicional. Já na década de 90 havia bons pedais da marca Wellgo, e em geral, até mesmo os modelos com corpo de plástico apresentavam uma qualidade mínima. Embora os pedais de plástico remetam ao pensamento de que são ineficientes e nada duráveis, encana-se o consumidor que pensar assim. Pedais de corpo de plástico possuem também sua finalidade, além de possuírem custo reduzido. Os pedais plástico podem ser vistos como interessantes quando alguém ainda inexperiente atingir o meio da canela com os pedais. Quem nunca fez isto? Bom, a diferença entre um pedal de metal e um pedal de plástico se apresentará neste momento como em raras oportunidades. O pedal de plástico, quando toca o chão em uma curva, geralmente desliza. Dificilmente o pedal de plástico tranca como os pedais de metal. Para quem esta se acostumando com a bicicleta, ou iniciando no ciclismo, isto faz uma diferença entre cair ou se manter sobre a bicicleta. 

Marca: Wellgo
Modelo: K20427
Estrutura: corpo de alumínio, aro externo de alumínio; sinalizadores cateye.
Sistema: eixo de aço cr-mo, vedação para poeira e água (tapa pó em borracha), extremidade distal (da fixação) fechada com tampa metálica de rosca. 

Crítica: O aro externo, cuja estrutura tem finalidade formar apoio para os calçados, no modelo em questão é formado por duas peças. Geralmente, este aro externo é composto por peça única. Aqui, ele se apresenta com a interrupção que não use os dos lados (traseiro e dianteiro dos pedais). Esta diferença pode sugerir uma menor robustez nestas estruturas, pois sabe-se que uma única peça unida por 4 parafusos tende a ter maior resistência do que peças presas com apenas dois, mesmo que se pareça a mesma peça apenas dividida. Os esforços atribuídos ao conjunto são distribuídos em peças unificadas. Imagine se um dos parafusos cair (algo extremamente raro)... um peça presa por dois parafusos, ao perder um, ficará apenas com um e, certamente ocorrerá prejuízo na pedalada até que o ciclista encontre um ponto de manutenção. 
O pedal apresenta grandes qualidades pelas características físicas. Ele pode não ser o modelo escolhido para muitos, mas possui qualidade estrutural, um desenho bonito e aprimorado, facilidade de manutenção, sinalizadores em ambos os lados e, baixo peso. O corpo de alumínio polido sugere uma preocupação do fabricante em destacar a qualidade, de outra forma, poderia ter menor acabamento e ser pintado na cor preta, que esconde detalhes como rebarbas de fundição. 

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Uma Raleigh MT200 e questões da tecnologia






 Reciclar... Este deve ser um dos assuntos mais falados na atualidade, pois acho justo, necessário e muito divertido. O que nós podemos fazer para reaproveitar ou promover a continuidade dos objetos que temos ao alcance? Bom, acredito que manter e conservar estes equipamentos de gerações anteriores é uma ótima alternativa para cultivar esta cultura old school. Neste caso, o estado da pintura do frame estava tão boa que poucos acreditariam que a bicicleta tem uns 19-20 anos. E quando colocamos peças modernas e novas, garantimos o uso desta guerreira por mais 10 anos, tranquilamente. Este modelo possuía originalmente peças de nível shimano altus, mas na remontagem optamos por colocar um alívio como câmbio traseiro e trocadores, pois isto daria um prestígio pouco maior para ela... e merecido seria.
A opção de 24 velocidades esta um pouco além do que se imaginava para uma bicicleta de passeio na época, mas na atualidade cai muito bem. A marca Raleigh é conhecida por qualidade. Muitos admiradores da marca se mantem fiéis a ela, mas é certo que este fama é algo que veio de um passado distante, quando os frames de aço e/ou cr-mo invadiram o mercado europeu, proveniente do Reino Unido (Frank Bowder,1887), mas posteriormente firmou-se no americano, onde é sediada até hoje. Se observa estas belezas citadas como Raleigh USA, mas originalmente eram inglesas existentes somente versões inglesas. O emblema ainda é o mesmo, tornou-se marca registrada e é reconhecido a distância por aqueles entusiastas. Durante os anos 90, foram atribuídos a linha de fabricação modelos de conceito passeio urbano e MTBs.
Originalmente, a MT200 possuia freios tipo cantilever, mas na oportunidade de transformar a bike em uma eficiente proposta modernizada, substituímos os freios originais por vbrakes novos, modelo altus, da shimano. Esta ação permitiu uma "compatibilidade" eficiente com o aro das novas rodas. E verdade seja dita, os freios atuais são mais eficientes, facilmente ajustados e praticamente a prova de dor de cabeça. Até mesmo a remoção das rodas em caso de pneus furados se torna uma tarefa fácil. Blocagens eficientes da shimano com o fácil desconectar dos vbrakes agiliza a operação. Em 5-8 minutos o pneu esta consertado e recolocado. É fato... alguns ciclistas estão tão eficientes na manutenção de pneus que isto se percebe em grupos de passeios ou mesmo nas ruas de uma cidade grande. 
Um grande diferencial deste modelo... algo que considero realmente incomum no passado e ainda mais na atualidade é a junção de Cr-Mo com alumínio. Depois de todos estes anos envolvido com pesquisa e garimpo de bicicleta, não havia visto pessoalmente. Até então, escutei falar, mas não acreditei. Não é fácil compreender pq um fabricante faria isto, mas possivelmente a melhor resposta seja divida em duas. Na justificativa de um fabricante para um público consumidor, imagino que a resposta seja de que utilizando top e down tube em alumínio obtinha-se uma redução de peso. Certo... pode ser que seja esta a argumentação. Contudo, na década de 90 especulava-se o uso de alumínio como uma vantagem de material tecnológico como resposta a tudo. Na verdade, os grandes fabricantes, frente a uma nova avalanche de fabricantes de frames de cr-mo e aço de boa qualidade, perceberam que era preciso evoluir para "despistar" o mercado dos aproveitadores que agora queimavam preço no mercado. Esta corrida tecnológica marca uma geração e removia alguns iniciantes do mercado ao passo que todos os grandes possuiam frames de carbono e alumínio em suas linhas de produção. Até mesmo o titânio foi utilizado para derrubar os fabricantes em início de carreira. Então esta união entre Cr-Mo e alumínio da Raleigh MT200 certamente era um trunfo tecnológico com intenções de sobressair-se em relação as demais marcas. Mesmo possuindo um grupo simples, como o Shimano Altus, ela reunião características fortes da qualidade. Tal observação é verdadeira que componentes não relacionados a relação de marchas e freios, como mesa, canote e aros, foram aplicados com uma qualidade de nível bastante alto. Foram utilizadas peças de grife para aquela época, com mesa e canote de cr-mo (extremamente pesados), também aros da marcam Weinmann. O garfo da bicicleta também é dr Cr-Mo, como grande parte da estrutura principal, demonstrando robustez de um tempo onde as bicicletas não tinham prazo de validade. Não que a atualidade não possua qualidade... não é isto, mas os frames de hoje são projetados com finalidades de outro conceitos. Os frames atuais têm perfil competitivo, tecnológico, de baixo peso, as vezes comportamentos específicos a torção e flexão. É o futuro desejado para o automóvel aplicado em grande parte das bicicletas atuais. Nunca se viu tanta tecnologia da indústria como ocorre nas bicicletas. 
Uma importante crítica, algo que tenho feito sempre que possível, é quanto a qualidade dos componentes atuais. A Shimano e outras grandes marcas tem demonstrado um capricho de alto nível, como soluções inteligentes que posso indicar como democráticas, pois estão pouco a pouco ficando ao alcance de todos. Exemplo disto é o cubo de conceito centerlock, que permite ser aplicado em modelos de vbrake ou disco, sem prejuízo em um das duas escolhas. Produzir um sistema que possa ser instalado em ambos os modelos permite sua popularização, pois antes quando eram produzidos 60.000 peças para vbrake e 20.000 peças para disco, agora fabrica-se a quantidade que supri o mercado de ambas as opções e bolsos. Isto favoreceu a popularização do freio a disco que num futuro próximo, acredito, atingirá a totalidade das bicicletas. Entendo isto pq o custo de produção se reduz, e então aumenta-se a procura, e mais ainda se reduz o custo... e pela eficiência do disco, especialmente por preservar os aros do desgaste das frenagens, pode ser um novo caminho para sustentável opção da manutenção em bicicletas. Isto, o tempo escreverá, não desta forma, talvez, mas como novos conceitos que ainda vão surgir. 

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Bicicletas antigas... na trilha da história!


Nesta Terça Feira a tarde visitei o colecionador Paulo Lima. Estou fazendo uma matéria sobre este grande colecionador, para publicar na Revista Bicicleta. Criador da ABIC (amigos da bicicleta de Canoas), Paulo, juntamente de outros 4 colecionadores, garimpa a história da bicicleta por todo canto que passa. Do Uruguai a São Paulo, faz contatos e trocas, ajudam-se entre si para enriquecer o acervo da bicicleta. Paulo Lima é o maior colecionador de bicicletas do Rio Grande do Sul, com mais de 200 bicicletas. Muitas prontas e completas, outras precisando de muitas peças, e algumas faltando detalhes. De uma monark Tigrão como eu nunca tinha visto igual (parece que saiu da loja ontem), e raras bicicletas como as que aparecem nas imagens... nomes como NSU, Goricke, Bianchi dentre outras. O que impressiona é a grande quantidade de modelos e tamanhos, da roda 20 que o próprio colecionador não tem como foco, até as grandes rodas 28. 
Você precisa ver isto... Acompanhe a Revista Bicicleta para saber mais.