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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A reconstrução de uma TREK 370 - 2ª parte












fotografias: Roberto Furtado

           Bom, por partes... e tentando ser breve. A TREK 370 foi remontada com peças de garimpo. Dentre as peças originais faltaram o freios, que também são da shimano, porém de outro grupo de época. O Pedevela também não é fiel ao usado na época, embora seja um shimano Exage. O pedevela original da TREK 370 é um Exage EX de coroas com 53 e 42 dentes, bcd 130. Aqui, apliquei um de bcd 110, tal como o que vinha em algumas raras bicicletas road desta época. Se vc procurar aqui sobre a TREK 470, vai encontrar referências de um pedevela shimano RSX de bcd 110, com três coroas, sendo elas 48, 36 e 26 dentes. Aqui, na falta do original, optei por seguir mais ou menos a mesma configuração. Então os trocadores, cubos, câmbios e maçanetas de freio são shimano exage idênticos ao da época. 
Os aros foram outra dificuldade... era lâminas de alumínio, cor de alumínio, simples. Consegui estas, de 36 furos, para casar com os cubos exage. Os aros são muito parecidos com os originais, porém mais largos. Desta forma, ficou semelhante e evidente que mais forte! O grande trunfo da TREK 370 em relação as demais road bikes da época é que ela possuia um espaço maior para passar o pneu. Isto permite que o ciclista opte por pneus de medidas maiores, tais como este 700 x 28C, mas é possível ir até 700 x 32 com muita segurança. Algum pneu 700 x 34 deve entrar também se o perfil for mais estreito. Eu tentei aplicar pneus 700 x 35C e não tive sucesso, pois quando devidamente cheios, raspavam no quadro. Alguns pneus tem um formato diferente e com isto encaixam nos frames, enquanto ocorre também um pneu de mesma medida não entrar em um mesmo quadro. Cada fabricante trabalha com uma linha de projeto, e mesmo que as medidas sejam as mesmas, não ocorrem a perfeita substituição. Contudo isto deve acontecer somente quando uma bicicleta receber pneus com medidas maiores que as originais, pois o fabricante já calcula a margem de espaçamento que garante esta alteração por peças de outras marcas. Faço uma observação para quem for tentar aumentar o tamanho dos pneus... não esqueça que bicicletas com pneus maiores do que foram projetadas, podem encostar o pneu no frame quando fizeres a curva deitada.
           Confesso que não me preocupei nem um pouco com a questão de limpeza e polimento do frame, apenas deixando original como recebi de um amigo que é mecânico da loja Dudu Bike. As road bikes da época podem ter valor e aplicação diferente de acordo com o usuário. Eu queria ver esta bicicleta o mais próximo possível de sua realidade. O lugar dela não é nas pistas, embora seja uma filha de Éolos. Ela esta em casa nas ruas, vias urbanas de uma cidade que respira mobilidade... ela venta no asfalto, corre nas ruas esburacadas com seus pneus maiores que as bikes de pista. Estou usando ela de forma modesta para saborear este momento, pelo qual esperei mais de 20 anos para lembrar. Agora, sinto um cheiro nas ruas... algo como se o tempo tivesse voltado. Evidente que são minhas lembranças...

obs: Os pedais são de mtb pq estes que tenho em minha sapatilha da shimano, mas de forma alguma considere tais pedais como algo original ou próximo. A TREK 370 vinha com pedais de pedaleira.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Refletindo sobre o uso das bikes... do material aos problemas de trânsito!

frame de Cr-Mo 4130 - foto: Roberto Furtado
Acompanhando as tendências de perto é possível ver que o mundo esta mudando sobre os conceitos e sobre a importância da bicicleta. Aqui no Brasil, vivemos uma realidade bruta e difícil de mudar para o uso da bicicleta, mas aos poucos as mentes vão se transformando e gerando "possibilidades" e oportunidades. É preciso permitir a aceitação da bicicleta para que se torne uma realidade.
     Os frames disponíveis no mercado podem incluir aqueles comercializados no passado, trazidos por pessoas que foram ao exterior e ao retornar vieram acompanhados de uma bike. Há também dezenas de opções circulando em redes sociais, classificados, lojas e opções como "meu amigo tem uma bicicleta para vender!"
    Se somarmos os frames e bicicletas completas disponíveis ao sistema, entre novos e usados, veremos que há uma grande diversidade que pode nos levar a escolhas diferentes e até mesmo exclusivas. Não é muito fácil achar uma bike ou mesmo apenas o frame usado que se sonha, mas a luta diária pela busca pode representar um nível de satisfação acima da média. Por outro lado, bicicletas novas estão aí para serem testadas e aprovadas, com grande acessibilidade aos interessados. Vai lá na loja... testa, considera ou desiste da bike, e em caso da escolha definida, já faz no cartão de crédito minimizando a dificuldade da aquisição. Paga parcelado... viabiliza a compra! De maneira geral são bicicletas extremamente tecnológicas. Alumínio de toda natureza, do simples ao top, com recursos formidáveis da hidroformagem e tubos com letras em alto relevo e formatos diferentes para tubos do quadro.
           É curioso saber que o mundo, agora aplica materiais tão tecnológicos em bicicletas, mas em casos do Brasil ainda demonstra apatia pela bicicleta. É preciso insistir... a bicicleta move uma economia fantástica, mas ainda é tratada como brincadeira de criança. Os governos e a sociedade precisam aceitar a bicicleta para que o mercado se fortaleça! É muito comum escutar: "eu queria ir de bike para o trabalho, mas acho perigoso!" ou "não tenho onde deixar a bike com segurança, como vou fazer para ir de bicicleta?"
Fora isto, há também problemas graves da qualidade de bicicletas acessíveis... onde não há controle, bicicletas de má qualidade invadem o mercado e acabam se transformando em prejuízo para quem precisa do deslocamento, e também lixo pq ninguém consegue arrumar esta bicicleta (#oficinanaofazmagica). Agora se a gente reparar nas bicicletas que realmente rodam as ruas em favor de uma mobilidade eficiente, perceberemos que muitas das bicicletas são antigas, algumas modernas, porém de elevado valor. Bicicleta deve oferecer um mínimo de qualidade a quem roda, pq estalos, contratempos, e frustração não acrescenta nada no ânimo de quem gosta de pedalar. Mesmo para quem gosta de pedalar, tornaria-se um problema usar a bicicleta com defeitos cíclicos que levam do desconforto ao atraso. Bicicleta tem que ter qualidade! Para bicicleta ter qualidade... tem que vender mais bicicletas, pq assim elas custarão menos, bicicletas de qualidade terão valor viável a mais pessoas. 

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Bicicleta velha "nova" pra ser motivado...


Motivação... eis a palavra que mais circula na minha cabeça. Acordo todo dia buscando motivação para tocar a vida, pois embora seja feliz, mostra-se o cotidiano muito contra alguns aspectos que julgo essenciais para plenitude de felicidade. De qualquer forma é até uma injustiça... tenho tudo e todos! Basta!
Contudo, da vida a gente sempre quer mais... caso contrário seria apenas casa-trabalho-casa. Outro dia encontrei a bicicleta que poderia ser meu sonho de consumo, postagem anterior indica o que descrevo aqui. Ela era o mais próximo da possível perfeição em conservação para uma bicicleta com quase 20 anos. Foi então que por motivos financeiros sabia que não podia ficar com ela... comprei para a pauta, não para ficar. Não estou em momento para aquisições. Como sou um eterno garimpeiro da década de 90, segui até um destino... rodei uns 250 km entre ida e retorno e trouxe para casa uma bicicleta. Pela logo marca que aparece acima da blocagem, dá pra saber o fabricante... quem não conhece, já informo que é Giant. 
A bicicleta estava bem sofridinha... embora fosse desde nova de um único dono. Empoeirada, entristecida pelo tempo... algumas peças só trocando! Mesmo assim, topei... "quero!" Levei pra casa e desmontei tudo... tudo! Tchaka deu o golpe de misericórdia quando conseguiu retirar o movimento central emperrado. Canote esta também selado... mas no fim, tudo saiu. Ganhou uma química e a pintura até que ficou bonita se desconsiderar alguns arranhões.  Troquei algumas peças que vou apresentar aos poucos... O cambio dianteiro é original dela, mas o pedevela (deore lx) não... mesma negativa para os cubos. Na foto ao alto, já deixei escapar que instalei um bagageiro... de ferro, pois vou carregar peso sempre que precisar.
É bom quando chega um "brinquedo novo", pois nos traz motivação. O que me faz feliz é o material... frame bem leve. O cr-mo de uma espada no formato de uma bicicleta. Roda pra frente...

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Na Revista Bicicleta do mês de julho...

Bom dia!
Informo que na Revista Bicicleta do mês de julho, que circulará nas bancas nos próximos dias, encontra-se a matéria que elaboramos sobre uma bicicleta com quase 20 anos de existência e estado especial de conservação. Realmente, uma bicicleta 100% de época, "quase que exatamente" como nasceu. O cenário das imagens foi uma ideia do nosso assistente de produção, meu amigo, Raul Grossi. Também entusiasta e conhecedor de fotografia, Raul tomou decisões importantes quanto a direção de fotografia. 
O cenário escolhido remete uma lembrança forte de montanhas do exterior, que pode ser uma sugestão de como e onde nasceram as MTBs. Elas nasceram para desbravar, andar por entre trilhas ruins e garantir o deslocamento rápido e divertido de aventureiros. Em histórias onde o passado confunde o propósito, ou simplesmente os soma, podemos dizer que reside também a paixão daqueles que entendem o significado de uma época. As MTBs evoluíram rápido, hoje, são altamente especializadas. As finalidades garantem o uso específico. Enduro, XC, XCM, DH, FX, etc Que seja uma opção para cada gosto, ou todas elas juntas se o seu bolso permitir. Em tempos onde vendas de automóveis começam a ceder, surge um crescimento e interesse por bicicletas. As antigas são retiradas da garagem do esquecimento, as novas são comercializadas e usadas de forma radical ou necessária, a produção aumenta, os conceitos se firmam e novos tempos estão surgindo com o piscar de olhos. Em NH, descobri esta velha guerreira que volta as ruas na mão de um novo proprietário... Reginaldo! Agradeço pela aquisição, pois o capital de testes e histórias deve girar para novos projetos. 
Agradeço ao Raul Grossi por todo apoio e ajuda na produção fotográfica, ao Carlos Wagner Horn (Tchaka) por limpeza e lubrificação. E a Revista Bicicleta por acreditar no nosso trabalho. 


Fotos e Texto: Roberto Furtado

terça-feira, 3 de junho de 2014

Nexus... aprovado em teste de mobilidade!


Nós temos feito alguns trabalhos envolvendo o sistema de marchas internas não é a toa. Estou muito inclinada a falar a respeito... e decidi falar justamente o que penso sobre este sistema. A opção de relação de marchas com sistema protegido de poeira e com outras vantagens aparentes é um grande fator que vai levar este projeto a ser percentual importante na economia da bicicleta. Este é o sistema do futuro, concebido ainda em um passado bastante distante e fora do seu tempo. É quase como dizer que os alienígenas cederam a tecnologia aos terráqueos, tal como se indica no filme homens de preto MIB "Men in Black". Em meio a brincadeiras podemos dizer que este é um sistema de alta tecnologia, considerando a grande simplicidade do sistema de 3 velocidades, mas sem esquecer que os tops da shimano e de outras grandes marcas representam-se por 11 ou 14 marchas. É extraordinário pensar que ocorrem sistemas com tantas opções, pois em tais bicicletas é possível utilizar justamente todas as marchas, quando em MTBs de 30 velocidades ocorre a não compatibilidade de relações por corrente cruzada. Isto é muita pano pra manga e não tem muitas mídias capazes de falar nisto. Por isto estamos estudando uma pauta que não é segredo... nós vamos fazer um material muito legal sobre estes projetos, e será para a versão impressa da Revista Bicicleta. 
Voltando ao Nexus, podemos dizer que ele é totalmente viável na atualidade de grandes centros. Tanto é que esta sendo utilizado nas bikes de locação em todas as cidades de grande porte do Brasil. No exterior, como nas cidades de países bem desenvolvidos economicamente e culturalmente falando, as bikes de locação possuem sistema de 5, 7 ou até 8 velocidades. Enquanto no Brasil... aparece esta versão de 3 velocidades como única opção ao usuário de bicicleta. Já é um grande passo, mas queremos mais! 
A bicicleta do teste foi uma old school desconhecida no Brasil... frame aço, suporte para bagageiro, algo muito evidente quanto a qualidade do projeto em relação a simplicidade e o que se conhece por simplicidade no mercado atual. Não dá pra deixar de falar a respeito... as bicicletas de supermercado são verdadeiros lixos, vendidos por valores irrisórios que se tornam elevados devido a precariedade de projeto e construção. Então, este foi mais um motivo para termos escolhido um frame extremamente simples... para provar que mesmo a simplicidade pode ter qualidade. 
Para utilização nas ruas de Porto Alegre, a bicicleta com Nexus Inter 3 (de versão com freio tipo contra pedal - torpedo), apresentou-se eficiente, completa, leve e fácil de operar. Praticamente, o ciclista preocupa-se apenas com o universo ao seu entorno. Nada de estalos, nada de ruídos desagradáveis, trocas precisas, frenagens eficientes, conforto! O Bikes do Andarilho avalia que o sistema é realmente perfeito em sua relação custo benefício. Fizemos lombas, descidas íngremes, uso em todo lugar de meio urbano... aprovado com excelência o Nexus inter 3. 

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Bagageiro - 1ª parte

Bagageiro em Cr-Mo (imagem retirada do rivbike.com)
                                
Ainda na arrastada tarefa da elaboração da GT Outpost, sigo nas reflexões e na difícil execução desta operação. Sobre o bagageiro, vai ter quem diga para comprar pronto, mas penso que algo desenvolvido especialmente para finalidade, com suas medidas escolhidas, acaba por ser um resultado mais especial.  O chamado customizado. A gente não deve esquecer que gostar de algo, traz dificuldades agregadas, e o gostinho vem valorizado pelo desafio. Quero um bagageiro simples, feito em aço, delicado em aparência, mas forte, capaz de suportar uma criança grande como carga (apenas uma referência). Não que vá efetivamente usar para carregar uma criança ou uma carga semelhante, mas para fugir de efeitos conhecidos como a fadiga. Os alforges que ainda não tenho, já sei quais usarei. Possivelmente a altura do bagageiro terá alguma regulagem de altura, e logicamente terá também algum recurso de ajuste na fixação de mover este para trás e para frente, possibilitando solução fácil para bikes curtas, onde o calcanhar poderia pegar no alforge. Tem muita coisa para pensar, não é tarefa das mais fáceis, mas como disse antes, a dificuldade coloca um gostinho especial nesta investida. Esta semana vou definir algo, nem que seja um protótipo parcial... algo que me dê diretrizes mais concretas, talvez fruto de testes. 
Tinha uma idéia de fazer um cicloturismo rápido... algo com uns 800 km no total, para no máximo 10 dias. Isto seria para março de 2011, já que não tenho o material como gostaria, e também preciso me programar em função de trabalho e outras questões ligadas a disponibilidade de tempo. 
O bagageiro da foto, embora de Cr-Mo, achei-o um pouco reforçado demais... mas é isto aí mesmo. Pretendo usar barras mais finas e maciças, este da foto me parece ter sido construído com tubos.
Este tema deve se estender por aqui... pq acredito que tenha muitas considerações para levantar devido ao tipo de uso, e pobreza de materiais disponíveis no Brasil. 

Roberto Furtado

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Na continuidade do projeto single speed - Bacini

Embora esteja eu me convencendo de que uma single speed tenha pouca finalidade quando o uso é para a cidade de Porto Alegre, estou disposto a prosseguir, para que desta forma algum uso me traga mais conclusões a respeito. Esta semana deixei no Tchaka, um conjunto para montar um par de rodas, com eixos de porca (sem blocagens), e desta forma atribuir o uso próximo da proposta. Penso que um single speed, bem como uma fixa (fixie, fixed) possuem uso e finalidade semelhantes... onde a simplicidade ganha por evitar olhos de ladrões de bikes e peças. A fixa considero um problema, contudo mais tradicional ao espírito e da relação do surgimento desta proposta. Pedalar sem parar, acredito que não seja o que procuro, pq a inércia é importante para aproveitamento do esforço realizado nas subidas... ladeira abaixo, considero uma recompensa, que nas fixas se perde um pouco. Acho que se força muito as pernas, e não haveria motivo para tal nesta cidade, grande e com tantas subidas e descidas. O quadro da bacini mostrei tempos atrás ,aqui e fiz algumas considerações aqui e neste outro aqui iniciei o tópico da bike!
Novamente, estou em curso, e com isto o tempo esta escasso. Se possível colocarei as fotos das rodas montadas com algumas observações, e depois as fotos da conclusão.
Ainda tenho uma série de projetos em andamento, mas com a falta de tempo vem a demora na conclusão de tantos. Dentre os projetos estão uma Peugeot, uma Giant, a GT LTS, a GT Outpost que esta quase pronta... dentre outras maravilhas de Cr-Mo e aço.

Roberto Furtado

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Specialized Hardrock 1993...

Quando minha cunhada disse que gostaria de pedalar, buscando melhora no condicionamento físico e complementação de exercicio, não acreditei. Depois de anos tentando trazer alguém da família para dentro da idéia bicicleta, parece que finalmente surtiu efeito. Precisava usar um quadro pequeno, algo de tamanho 16", e para sorte dela, tinha um quadro specialized hardrock no tamanho 15,5" de centro a centro. Quadro antigo, de 1993, mas bem bacana, conservado... sem riscos ou amassados. A pintura já fora refeita e não é grande coisa, mas se tratando de uma bicicleta, alguma discrição é até bem vinda, evitando os olhares dos malandros. Quem conhece, de longe sabe o que é... basta olhar para gancheira traseira, poucas bicicletas tem tal padrão. Uma nova oportunidade... então mão na massa para montar uma velha e pequena guerreira de Cr-Mo. O Tchaka já esta montando... acho que é possível que ele monte ela até este sábado, caso contrário fica para a próxima semana. O importante é que fique bem montado, como só ele sabe...

Roberto Furtado